Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

Guiné-Bissau ausente no encontro das universidades lusófonas

Nenhuma instituição da Guiné-Bissau participou no encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa AULP). “Reconhecemos com alguma tristeza que não tivemos a participação da Guiné-Bissau e isso preocupa-nos”, comentou Jorge Ferrão, reitor da Universidade de Moçambique e presidente da organização, ao fazer um balanço do XXIII encontro anual daquela instituição.

Falando à rádio UFMG Educativa, o líder da Associação lamentou a ausência, afirmando que “há um processo que acontece na Guiné-Bissau que tem a ver com os sistemas políticos. A AULP não está preocupada com isso, estamos preocupados com os académicos, com o sistema de ensino da Guiné-Bissau”.

“Não podemos promover a exclusão desses académicos”, comentou o reitor moçambicano.

Esta preocupação reflectiu-se numa moção de solidariedade aprovada pela assembleia do encontro e na declaração final, onde se lê que a AULP irá solicitar ao secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa o apoio no sentido de transmitir àquelas instituições irmãs a preocupação da Associação pela situação naquele país, desejando-lhe “uma rápida normalização, incluindo a plena participação nas suas actividades”.

A Guiné-Bissau atravessa um período de transição governativa e aguarda pela realização de eleições na sequência de um período de instabilidade, iniciado com o Golpe de Estado de 12 Abril de 2012.

No final do encontro, foi anunciado que a AULP pretende criar uma base de dados da produção científica e de informações curriculares que abranja todos os países de língua portuguesa.

Os participantes reforçaram a necessidade de promover uma maior cooperação e integração entre as instituições.

Em carta aberta dirigida a todos os participantes, Jorge Ferrão defendeu que a AULP deve ter um papel na criação de uma base de dados que “prolongue os actuais sistemas Lattes no Brasil e o recente DeGois em Portugal”.

Estas bases de dados reúnem e disponibilizam informações curriculares e produção intelectual e científica dos investigadores.

Além desta medida, a Declaração de Belo Horizonte, aprovada na assembleia de encerramento do encontro, recomenda que se ampliem os projectos de pós-graduação em parceria. Sublinha-se ainda que são necessárias novas fontes de financiamento, apelando à mobilização de fundos provenientes da União Europeia.

Neste encontro foi aprovado o ingresso de 12 novas instituições na AULP, oito delas do Brasil e as restantes de Portugal, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

A próxima reunião anual da associação realiza-se na Universidade de Macau.

Greve na Saúde no país foi levantada após acordo entre Governo e sindicatos

Bissau - O Governo e sindicatos do sector da Saúde da Guiné-Bissau chegaram hoje a acordo e foi desconvocada a greve de 10 dias que deveria começar na segunda-feira, disse hoje o ministro da Saúde.  

Os sindicatos terminaram na semana passada uma greve de sete dias e já tinham agendada nova paralisação, mas depois de uma reunião realizada hoje, que durou cinco horas, houve entendimento entre as duas partes.  

O ministro da Saúde Pública, Agostinho Cá, explicou que o Governo se comprometeu a satisfazer em 25 por cento as reivindicações dos sindicatos até à próxima terça-feira, pagando dois meses de subsídio de isolamento e dois meses de subsídio de vela, além de um mês de salário a novos contratados e um mês de salário a novos ingressos. 

Os sindicatos tinham marcado a greve devido a salários em atraso. 

Segundo o ministro, que pediu a compreensão dos sindicatos para a fase difícil que o país atravessa, até ao final do mês serão liquidados mais 25 por cento dos salários em atraso. 

A greve tinha sido decretada pelo Sindicato dos Técnicos de Saúde (STS), pelo Sindicato de Enfermeiros e Técnicos de Saúde e Afins (SINETSA) e pelo Sindicato de Quadros Superiores da Saúde (SINQUAS).  

Domingos Sami, presidente do STS, disse na semana passada à Lusa que estão em atraso sete meses de salários para os novos ingressos e o pagamento de subsídios de vela e de isolamento.

"Balantas" de Mansoa campeão da Guiné-Bissau

Terceira conquista do clube desde a independência do país, em 1973

O Clube Futebol "Os Balantas" de Mansoa,  sagrou-se este domingo campeão da Guiné-Bissau e deverá receber da federação um prémio de 10 milhões de francos CFA (cerca de 15 mil euros).


O clube de Mansoa, a 50 quilómetros a norte de Bissau, conquistou pela terceira vez campeão da Guiné-Bissau desde a independência do país, em 1973, e se receber os 10 milhões será o primeiro a conseguir o inédito prémio anunciado pelo presidente da federação guineense de futebol, Manuel Nascimento Lopes.


Com 40 pontos conseguidos, o CF "Os Balantas" de Mansoa, que é a filial numero 13 do português Belenenses, tem o Sporting da Guiné-Bissau logo a seguir na tabela classificativa do campeonato hoje encerrado, com 33 pontos, e o Benfica de Bissau em terceiro com 31 pontos.


O ponta-de-lança Stromberg, do Sporting de Bissau, foi o melhor marcador do campeonato disputado entre dezembro a junho por dez equipas, tendo apontado 10 golos, enquanto o guarda-redes Utu, dos Balantas de Mansoa, foi o menos batido na prova.


O Atlético Clube de Bissorã, campeão em título, desceu de divisão juntamente com o Académico de Ingoré. Para os seus lugares subiram da segunda para primeira divisão o Estrela Negra de Bissau e o Nuno Tristão Bula Futebol Clube.


Ao campeão da segunda divisão, neste caso o Estrela Negra de Bissau, clube militar, deverá receber da Federação um prémio no valor dos cinco milhões de francos CFA (7.600 euros).

Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

CEDEAO promete 9,2 milhões de dólares para apoiar reforma militar

Bissau  - A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) vai disponibilizar para a Guiné-Bissau 9,2 milhões de dólares para apoiar o programa de reforma do sector de defesa e segurança, anunciou quinta-feira fonte da presidência guineense.  

De acordo com a fonte, a notícia foi transmitida ao presidente de transição guineense, Serifo Nhamadjo, pelo representante da CEDEAO em Bissau numa reunião do comité de pilotagem do programa de reforma do sector militar em curso.   

A CEDEAO, acrescentou a fonte, quer com este gesto ver iniciado o processo que está a ser falado desde 2006 mas que verdadeiramente ainda não arrancou. 

A verba que deve chegar a Bissau o mais tardar na próxima terça-feira faz parte de um envelope de 63 milhões de dólares que a CEDEAO prometeu entregar às autoridades guineenses para a reforma do sector militar.  

Os 9,2 milhões que a CEDEAO vai colocar à disposição das autoridades de Bissau destinam-se apenas à recuperação de casernas militares.  

O director nacional de política de defesa guineense, Braima Camará, disse aos jornalistas que a reunião serviu para informar detalhadamente o presidente de transição sobre o ponto da situação do programa de reforma. 

O encontro de quinta-feira juntou os ministros da Defesa, do Interior, das Finanças e da Economia, peritos militares e elementos da CEDEAO em representação da comunidade internacional.

CPLP encoraja Governo da Guiné-Bissau para que eleições se realizem este ano

Lisboa, 13 jun (Lusa) - A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) manifestou hoje "satisfação" pela formação de um Governo inclusivo na Guiné-Bissau, encorajando o novo executivo a adotar medidas para que se realizem "eleições livres, justas e transparentes" ainda em 2013.

"A CPLP está certa de que a nova dinâmica no país reflete a vontade de todas as partes de junto trabalharem com vista à normalização da vida no país e ao pleno respeito aos direitos humanos, incluindo a possibilidade de regresso dos cidadãos no exílio, contribuindo assim para o retorno da Guiné-Bissau ao concerto das Nações", pode ler-se num comunicado enviado à agência Lusa.

A CPLP encoraja, por isso, o Governo "a adotar medidas que permitam a realização de eleições livres, justas e transparentes, ainda no decurso de 2013, com vista à reposição da ordem constitucional e democrática no país irmão da Guiné-Bissau, subvertida pelo golpe de estado militar de 12 de abril de 2012".

"A CPLP reafirma o seu compromisso de continuar a apoiar e trabalhar em prol da convergência dos esforços em curso para a estabilização da Guiné-Bissau, em particular os desenvolvidos pela União Africana, Nações Unidas, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e União Europeia", defendem.

Sexta-feira, o Presidente da República de transição da Guiné-Bissau nomeou um novo Governo, composto por 19 ministérios.

O novo Governo substitui o de transição nomeado em maio de 2012, continuando o executivo guineense a ser chefiado por Rui Duarte de Barros.

JF(FP/MB) // ARA

Lusa

Tribunal de Justiça da UEMOA dá prioridade julgamento de processos pendentes

Bissau - O novo Presidente do Tribunal de Justiça da União Económica Monetária Oeste Africana (UEMOA) definiu como prioridade a audiência, discussão e julgamento de todos os processos pendentes nesta instituição judiciária, ao nível dos países membros da organização.

Em exclusivo à rádio Pindjiguiti, Daniel Lopes Ferreira lembrou o seu passado, assegurando sempre ter agido com muita neutralidade, independência e objetividade, com a capacidade de saber resistir às pressões.


«Temos processos que se encontram neste tribunal e que temos que julgar com toda esperança jurídica necessária, como foi sempre o meu princípio, sem instruções de nenhuma pessoa de fora», disse Daniel Lopes Ferreira.


Em causa estão processos-crime de ordem transversal, entre empresas dos países membros da UEMOA. Contudo, Daniel Lopes Ferreira disse não querer falar do assunto, por uma questão de cortesia ao nível da organização.


«É um dever. Não devo falar publicamente destes processos, são problemas ligados às empresas que actuam em qualquer país da união», sublinhou o Presidente do Tribunal da UEMOA.


No caso particular da Guiné-Bissau, Daniel Lopes disse não existir nenhum processo neste sentido, mas deixou claro que, mesmo havendo, vai agir sempre em nome da união.


Apesar da firmeza do Tribunal da UEMOA em termos de actuação nos processos, o responsável informou que a parte interessada é que deve procurar informar a instituição, e não o contrário.


«O Tribunal não age se o problema não chegar, mesmo que tenhamos conhecimento de um certo caso», disse o recém-nomeado.


Daniel Lopes Ferreira disse ainda que está em curso o trabalho de levantamento das necessidades em termos de reforço da capacidade institucional, tendo manifestado total apoio à Guiné-Bissau.


Em missão de trabalho ao país, o Presidente do Tribunal da Justiça da UEMOA já manteve, a 10 de Junho, encontros com o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau, Paulo Sanha, o Procurador-geral da República, Abudu Mane, e o Ministro da Justiça, Saido Balde.


Para 11 de Junho prevê-se um encontro com Rui Barros, Primeiro-ministro de transição.

Maioria das deficiências nas crianças da Guiné-Bissau podiam ser evitadas - UNICEF

Bissau, 13 jun - A maior parte das deficiências detetadas em crianças na Guiné-Bissau podiam ser evitadas através de vacinas e boas práticas de higiene, disse hoje o representante da UNICEF no país, que considera também prioritário "transpor a barreira da discriminação".

Maioria das deficiências nas crianças da Guiné-Bissau podiam ser evitadas - UNICEF

Bissau, 13 jun - A maior parte das deficiências detetadas em crianças na Guiné-Bissau podiam ser evitadas através de vacinas e boas práticas de higiene, disse hoje o representante da UNICEF no país, que considera também prioritário "transpor a barreira da discriminação".

Abubacar Sultan falava na cerimónia de apresentação em Bissau do último relatório global da UNICEF sobre a infância, este ano sobre "Crianças com Deficiência".

Na Guiné-Bissau, disse Abubacar Sultan aos jornalistas, não existem muitos dados estatísticos embora relatórios de 2010 apontem para cerca de 13 mil crianças com alguma deficiência, num universo de 1,5 milhões de pessoas. Cruzando outras informações, nomeadamente junto de hospitais, o responsável admite que o número seja superior.

Na Guiné-Bissau é frequente as famílias esconderem as crianças com deficiências, pelo que Abubacar Sultan entende ser esse "o principal desafio e a principal mensagem", a de "transpor a barreira do estigma e da discriminação".

"O nosso lema é o de que é necessário ver primeiro a criança e depois a deficiência", disse, acrescentando ser necessário também que se comece a debater de forma mais aberta o problema e a "expor mais a criança".

No anfiteatro do Centro Cultural Franco-Bissau-Guineense, perante centenas de pessoas, muitas delas crianças com alguma deficiência, o responsável voltou a dizer que um simples "lavar as mãos" podia evitar doenças que muitas vezes acabam em alguma deficiência.

Mas chamou também a atenção para as altas taxas de mortalidade infantil, 161 óbitos por cada mil nascimentos, muito acima da média da sub-região, que é de 109 casos, mesmo essa considerada mui alta. A meta da ONU para 2015 era chegar a 80 mortes por mil nascimentos.

Abubacar Sultan falou ainda das baixas taxas de escolarização na Guiné-Bissau, especialmente nas zonas rurais (57 por cento, contra 84 por cento nas zonas urbanas), e do não registo das crianças, o "primeiro direito" que lhes é negado. "Porque é que os pais não vão procurar os registos? É importante que as crianças sejam registadas", disse.

Abubacar Sultan aproveitou ainda o microfone para dizer, perante representantes do governo, que a Guiné-Bissau é um dos 27 países do mundo que ainda não assinou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

A ministra da Mulher, Família e Solidariedade Social, Gabriela Fernandes, respondeu que o governo dará prioridade à ratificação da convenção e que já pediu à Assembleia Nacional Popular para que o fizesse o mais rapidamente possível.

A Guiné-Bissau apresentou na semana passada em Genebra, no Comité dos Direitos das Crianças, um relatório sobre a aplicação da Convenção dos Direitos das Crianças na Guiné-Bissau (ratificada em 1990), que segundo Abubacar Sultan foi bem recebido pelo Comité.

O último relatório da UNICEF, publicado a 30 de maio, coloca a Guiné-Bissau na 7.ª posição quanto à taxa de mortalidade, seguindo-se Angola, com 158 mortes por cada mil nascimentos.

A organização da ONU estima que no mundo cerca de 93 milhões de crianças (uma em cada 20 com menos de 14 anos) vivem com algum tipo de deficiência.

Algumas delas estiveram hoje no palco do centro cultural francês na Guiné-Bissau. Por exemplo Jaime Camará, 13 anos, estudante da terceira classe, que declamou um poema no qual disse que se pudesse transformava as armas em bengalas.

E também outros grupos de crianças mostraram no mesmo palco peças de teatro contra a discriminação. Uns da Escola da Bengala Branca e outros da Escola de Surdos-Mudos, para mostrar que a deficiência não é nem tem de ser um estigma.

FP // JMR

Lusa

Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

Faleceu o Bruno Dinis Filho Do Sr. João Dinis proprietário da Escola de Condução em Bafatá

Faleceu ontem vitima de acidente que aconteceu na segunda feira, e após ter sido evacuado para Portugal na noite de ontem em estado grave .... não resistiu a viagem e faleceu mesmo antes de o avião aterrar em Lisboa.

Bruno Dinis filho de João Dinis e de Célia Dinis, proprietários de uma escola de condução em Bafatá.

O Blogue Novas da  Guiné-Bissau envia um abraço ao meu amigo Dinis neste dia difícil

Juiz Augusto Mendes eleito presidente da CNE

Bissau - O juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) da Guiné-Bissau, Augusto Mendes, é o novo presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), numa escolha feita ontem  (quarta-feira), no Parlamento e anunciada pelo presidente daquele órgão, Ibraima Sory Djaló, noticiou à Lusa. 

Após uma votação secreta, Augusto Mendes, foi escolhido numa lista integrada por mais três colaboradores, com 82 votos dos 85 deputados presentes na sessão extraordinária da Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento guineense), convocada apenas para a escolha de novos dirigentes da CNE. 

Os três colaboradores de Augusto Mendes são José Pedro Sambú (secretário executivo da CNE), Cátia Lopes (secretária executiva adjunta) e Idrissa Djaló (secretário executivo adjunto). Os três são juízes de direito. 

No seu discurso de ocasião, o presidente do Parlamento guineense, Ibraima Sory Djaló, afirmou que a escolha de novos dirigentes da CNE "é um passo importante" no processo de transição na Guiné-Bissau, uma vez que foram escolhidos os responsáveis pela organização das próximas eleições gerais, que estão previstas para Novembro deste ano. 

"Obrigado aos deputados pelo trabalho. Mais uma vez cumprimos com o nosso dever. A transição já está completa. Estamos muito satisfeitos com o trabalho aqui realizado, por isso não me vou alongar mais. Digo apenas que a tomada de posse dos novos dirigentes da CNE é (quinta-feira), às 17H00 aqui na Assembleia Nacional Popular", observou um Sory Djaló visivelmente emocionado. 

Formado em direito na antiga União Soviética, Augusto Mendes, era até aqui juiz conselheiro no Supremo Tribunal de Justiça e foi presidente do Conselho Nacional de Comunicação Social. 

Membro fundador da Liga Guineense dos Direitos Humanos, organização que chegou a presidir interinamente, Augusto Mendes vai ocupar o lugar deixado vago praticamente desde a morte de Desejado Lima da Costa no ano passado, vítima de doença. 

A 13 de Dezembro do ano passado, foi eleito para o cargo o juiz conselheiro do STJ Rui Nené, que viria a apresentar a demissão menos de um mês depois. A eleição foi polémica e um grupo de pequenos partidos apresentou um pedido de impugnação. 

Em carta dirigida na altura ao Conselho Superior da Magistratura Judicial, Rui Nené disse que decidiu renunciar ao cargo de presidente da CNE por julgar que a sua nomeação podia pôr em causa "a desenhada estabilidade e paz" no país.

Doentes abandonam principal hospital da Guiné-Bissau

Doentes internados no hospital Simão Mendes, principal centro médico da Guiné-Bissau, estão a abandonar a unidade por falta de assistência já que os profissionais estão de greve geral há cinco dias, avança a agência Lusa.

A Lusa constatou esta terça-feira no local quartos e enfermarias inteiras com três ou quatro doentes, quando em situação normal (sem greve) seriam locais completamente lotados de pacientes.

Na maternidade, a Lusa pôde constatar pouco mais que 30 doentes, a maioria mulheres que deram à luz nos últimos dias. Nos serviços de urgência dois médicos dão as consultas aos poucos doentes que aí se encontram.

O director do hospital, Lassana N'Tchassó, disse à Lusa que não tem conhecimento oficial do abandono dos doentes do hospital, mas ainda assim diz ser normal isso acontecer em caso de falta de assistência.

"Não posso confirmar isso porque não tenho nenhuma informação oficial nesse sentido. Mas o paciente é livre de escolher o hospital onde quer ser atendido", defendeu o director do maior centro hospitalar da Guiné-Bissau.

Questionado sobre se, por causa da greve, haveria mortes no hospital Lassana N'Tchassó afirmou que não, lembrando que, mesmo que não seja por causa da paralisação, há óbitos de pacientes.

O director do Simão Mendes disse que, pelas informações de que dispõe, os sindicatos ainda não chegaram a um acordo com o Ministério da Saúde Publica para o levantamento da paralisação, embora tenham estado em negociações nos últimos dias.

A greve, de sete dias úteis, deve terminar na quarta-feira. Visa exigir do Governo o pagamento de salários em atraso e melhoria de condições de trabalho dos profissionais agrupados em três sindicatos: STS (Sindicato de Técnicos de Saúde), SINETSA (Sindicato de Enfermeiros e Técnicos de Saúde e Afins) e SINQUAS (Sindicato de Quadros Superiores da Saúde).

Empresa da Costa do Marfim explora hidrocarbonetos na Guiné-Bissau

Bissau - A Empresa costa-marfinense Kesnad Oil & Energy assinou, a 7 de Junho, com a Empresa Nacional de Prospecção e Exploração de Petróleo (PETROGUIN-EP), um acordo para o efeito de prospecção e exploração de hidrocarbonetos, no Bloco 3 do Offshore, dos menos profundos da Guiné-Bissau.

Em comunicado de imprensa, a PETROGUIN-EP sublinhou que, depois de cerca de um ano de negociações, a empresa pública culminou com este processo negocial de contrato de associação, em participação com a Kesnad Oil & Energy.

De acordo com a PETROGUIN-EP, o contrato tem a finalidade de definir os termos de participação entre as duas empresas petrolíferas, nos termos definidos, incluindo a pesquisa de hidrocarbonetos, o desenvolvimento e o transporte de petróleo no e a partir do Bloco 3, com base nas licenças de pesquisa que serão conferidas às partes, pelo Governo da Guiné-Bissau.


Com a duração de cinco anos, as participações percentuais serão de 80%, para a Kesnad, e de 20% para PETROGUIN-EP.
No que diz respeito às despesas de pesquisa, a Guiné-Bissau, ou seja, a PETROGUIN-EP tem 0%, enquanto a Kesnad Oil & Energy detém 100% das despesas, durante o período de pesquisa.


Por último, a empresa guineense informou que, em cada data de descoberta comercial do petróleo, as participações em termos percentuais nos direitos e nos custos, relativamente aos custos incorridos após a data de descoberta na respectiva área comercial de desenvolvimento, os valores figuram nos 20% para PETROGUIN-EP e nos 80% para a Kesnad Oil & Energy.


Trata-se de mais uma etapa no discutido processo de prospecção e exploração de petróleo na Guiné-Bissau.

A União Europeia e a União Africana saúdam progresso na transição em Guiné-Bissau

transferirNo passado dia 11 de Junho reuniram-se em Adis Abeba o Comité de Paz e Segurança da União Europeia e o Conselho de Paz e Segurança da União Africana no âmbito da sua 6° Reunião Anual consultiva no quadro da Estratégia conjunta União Europeia – Africa.

Na reunião foi destacado a necessidade de prosseguir a cooperação entre a União Europeia e a União Africana no sentido de alcançar os objectivos comuns que são de assegurar a paz e a segurança, promover a governação democrática, zelar pelo respeito dos direitos humanos, valorizar o Estado de Direito, manter a protecção de civis e responsabilizar os autores de crimes de guerra e crimes contra a Humanidade.

No que diz respeito à Guiné-Bissau, a União Europeia e a União Africana tomaram conhecimento da nomeação de um novo governo de transição na sequência do entendimento politico entre os dois principais partidos políticos do País. É esperado que este governo de transição dê prioridade às eleições democráticas que levem à restauração da ordem constitucional antes do final do ano. A reunião saudou também a disponibilidade da União Europeia em prestar o apoio técnico e financeiro ao processo eleitoral, uma vez que um roteiro apropriado seja adoptado.

As duas partes concordaram ainda na necessidade de se fazer uma reforma estruturante das forças armadas e de segurança. Os dois actores enfatizaram a necessidade de uma luta eficaz contra o crime organizado e o tráfico de drogas como também a prática de pesca ilegal. Realçaram ainda a necessidade da protecção dos direitos humanos, do restabelecimento de um Estado de Direito e de pôr fim a impunidade.

A União Europeia e a União Africana sublinharam a grande importância no aspecto da preservação e gestão durável dos recursos naturais da Guiné-Bissau, incluindo a exploração sustentável dos recursos marinhos e terrestres. Finalmente elogiaram os esforços conjuntos da União Africana, da CEDEAO, da CPLP, da União Europeia e das Nações Unidas para o regresso à ordem constitucional e à estabilidade na Guiné-Bissau e anunciaram o próximo envio duma segunda missão de avaliação com vista a encorajar as partes interessadas em cumprir todas as condições para a realização de eleições livres, justas e transparentes antes do final do ano.

Como comentário a este comunicado conjunto que o Chefe da Delegação da União Europeia em Guiné Bissau Embaixador Joaquim González-Ducay felicitou-se da sintonia entre as duas partes. Segundo ele "após a constituição do novo governo inclusivo estão criadas as condições para avançar na preparação de eleições gerais que devem ter lugar ainda este ano, para que venha a haver um governo democrático e passarmos assim, depois das eleições, para a segunda fase de transição, que é a fase fundamental: a fase de reconstrução do país, de refundação do próprio Estado democrático".

Bissau, 13 de Junho de 2013

Terça-feira, 11 de Junho de 2013

SEF legaliza guineense que ninguém queria :JN

O guineense que há um mês foi alvo de duas tentativas frustradas de expulsão de Portugal vai poder, afinal, ficar no nosso país de forma legal. A entrada de Suleimane na Guiné fora rejeitada duas vezes.

SEF legaliza guineense que ninguém queria

Suleimane Camará tentou evitar deportação arrancando com os dentes as veias dos pulsos

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) está já a tratar dos procedimentos legais com vista à permanência autorizada do jovem de 25 anos. De acordo com informações recolhidas pelo JN, a ordem de expulsão de Portugal deverá ser, a muito breve trecho, dada como sem efeito.

Para ajudar à regularização do caso contribui o facto de o pai de Suleimane - com quem Suleimane Camará veio ter a Portugal, vindo da Suíça - ser titular de nacionalidade portuguesa. Mané Camará está em Portugal há mais de 10 anos, trabalhando 16 horas por dia na construção civil.

No dia seguinte à chegada a Portugal, o filho foi detido, por suposta permanência ilegal no país. Volvidos 55 dias de detenção num centro de instalação temporária de estrangeiros, recebeu ordem de expulsão. Não terá sido devidamente valorado o facto de ser familiar de cidadão português - o que lhe confere o direito a, pelo menos, lhe ser passada uma autorização de permanência.