segunda-feira, 16 de maio de 2016

Depois das Forças Armadas terem barrado o acesso de governantes aos locais de trabalho, os mesmos tiveram que voltar a traz, e levantam as restrições de acesso aos gabinetes do Governo

Os militares da Guiné-Bissau levantaram hoje as restrições impostas aos membros do Governo, impedidos de entrarem nos respetivos gabinetes, e recusaram-se a comentar os motivos da proibição.

Fonte do Governo do PAIGC, demitido na quinta-feira pelo chefe de Estado guineense, José Mário Vaz, disse à Lusa que os membros do executivo "estão a entrar e a sair livremente" dos seus gabinetes, sem qualquer restrição dos militares.

"As restrições ocorreram sobretudo nos ministérios que ficam fora do palácio do Governo, isto é, Saúde, Finanças, Justiça, Pescas e Educação, mas no Palácio do Governo não houve qualquer situação dessas", acrescentou.

O comunicado do Conselho de Ministros de sexta-feira "foi claro e inequívoco sobre a matéria e os militares compreenderam que não podiam continuar a fazer o que estavam a fazer", disse a mesma fonte.

No dia seguinte à demissão do Governo de Carlos Correia, alguns membros do executivo demitido, mas ainda em funções, foram barrados no acesso aos respetivos gabinetes, uma situação condenada em comunicado peloConselho de Ministros. O órgão responsabilizou o chefe das Forças Armadas, general Biaguê Nan Tan, e o Presidente da República, Jose Mário Vaz, pelo bloqueio.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas também se posicionou na sexta-feira contra a alegada ingerência dos militares nos assuntos políticos, instando-os a afastarem-se. Fonte do Estado-Maior General das Forcas Armadas disse hoje à Lusa que a liderança militar guineense não pretende comentar o assunto. Lusa

Presidente JOMAV volta a demitir governo "Num país em que há famílias a viver com menos de 15 euros por mês, José Mário Vaz prefere não gastar dinheiro em eleições" Senhor Presidente, não demitia o Governo que tem apoio no parlamento, isto é DITADURA!!!!!! já agora que tipo de Governo pretende? será de certeza um Governo que só faça o que o senhor quer, mas este GOLPE não vai passar!!!!!!

Num país em que há famílias a viver com menos de 15 euros por mês, José Mário Vaz prefere não gastar dinheiro em eleições

O presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, demitiu o governo de Carlos Correia, mas decidiu não optar por novas eleições, intimando o partido maioritário, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), a nomear um novo primeiro-ministro.

Apesar de já terem passado sete meses desde que Carlos Correia tomou posse, em outubro do ano passado, o executivo continuava sem conseguir fazer aprovar no parlamento nem o programa do governo nem o Orçamento do Estado. "É constrangedor ver o governo a falar em voz baixa nos fóruns internacionais porque não tem legitimidade plena. Não é mais sustentável permitir que o governo continue a contrair dívidas, realizar despesas e emitir títulos de tesouro", afirmou o presidente na mensagem que ontem dirigiu ao país.

Perante este cenário, Vaz decidiu que era chegada a hora de "as lideranças partidárias revelarem maturidade e ultrapassarem as miudezas institucionais que estão a empatar a saída da crise" e passou para o PAIGC a "responsabilidade de apresentar uma solução governativa".

O presidente da República justificou a não realização de eleições pela falta de dinheiro para custear o ato eleitoral: "Decorridos apenas dois anos desde que a comunidade internacional nos pagou, com o dinheiro dos seus contribuintes, a realização de eleições, não seria dignificante voltarmos a estender a mão." Ao referir a questão financeira, José Mário Vaz relembrou que na Guiné-Bissau "há famílias inteiras que se alimentam com menos de 10 mil francos CFA [15,2 euros] por mês."

Esta é a segunda vez desde que tomou posse, em junho de 2014, que José Mário Vaz, eleito com o apoio do mesmo PAIGC, demite um primeiro-ministro do seu partido. O primeiro a sair, em agosto de 2015, foi Domingos Simões Pereira, que havia sido eleito em abril de 2014.

Num comunicado divulgado ontem à tarde, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português lamenta a situação guineense e sublinha que "a ausência de estabilidade política suscita dúvidas sobre a exequibilidade dos projetos de cooperação, bem como sobre a prossecução das reformas necessárias ao país há muito reconhecidas pela comunidade internacional".

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O PAIGC quer eleições gerais antecipadas

Partido no poder na Guiné-Bissau quer eleições gerais antecipadas


O PAIGC, partido no poder na Guiné-Bissau, defendeu ontem que o Presidente da República deve dissolver o Parlamento e convocar eleições gerais antecipadas.

"Existe o imperativo de imediata dissolução do parlamento", de acordo com um comunicado do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e outros cinco partidos.
No documento conjunto, apresentado em conferência de imprensa, defende-se que o atual executivo passe a funcionar como "governo de gestão" e que sejam convocadas eleições gerais antecipadas - para a Assembleia Nacional e a Presidência da República.
O parlamento não funciona desde janeiro depois de um grupo de 15 deputados do PAIGC se ter revoltado contra a liderança do partido e de se ter aliado à oposição (PRS) para tentar derrubar o Governo.
No comunicado de hoje, o PAIGC e partidos aliados referem que o Presidente, José Mário Vaz, "está refém do grupo criado por ele próprio", movido por "interesses pessoais, impondo ao chefe de Estado a assinatura do decreto de demissão do Governo e entrega do poder ao PRS e aos 15".
José Mário Vaz demitiu em agosto de 2015 um primeiro governo do PAIGC liderado por Domingos Simões Pereira, ao qual sucedeu o atual executivo liderado por Carlos Correia.
A posição do PAIGC e dos restantes cinco outros partidos foi divulgada um dia antes de o Presidente da República ouvir as forças políticas com representação parlamentar e reunir o Conselho de Estado.
Os encontros chegaram a estar marcados para hoje, mas fonte da Presidência referiu à Lusa que foram reagendados para terça-feira.
No comunicado de hoje, juntaram-se ao PAIGC a União para a Mudança (UM), o Partido da Convergência Democrática (PCD), o Partido da Unidade Nacional (PUN), o Movimento Patriótico (MP) e o Partido da Solidariedade e do Trabalho (PST).
Destes, dois têm assento no parlamento: o PCD tem dois deputados, cabendo um lugar à União para a Mudança.
LFO // EL
Lusa

sexta-feira, 4 de março de 2016

Parlamento e PAIGC abandonam reunião convocada pelo Presidente da Guiné-Bissau


Resultado de imagem para PAIGC e primeiro-ministro, Carlos CorreiaOs membros das delegações do Parlamento da Guiné-Bissau e do PAIGC, partido no Governo, abandonaram hoje uma reunião convocada pelo Presidente da República para solucionar a crise política no país.


O vice-presidente do parlamento Inácio Correia e o primeiro-ministro guineense, Carlos Correia, este em representação do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), disseram aos jornalistas que decidiram abandonar a reunião porque o encontro não respeita o formato que as suas instituições esperavam ver.
Ambos contestam o facto de o Presidente guineense, José Mário Vaz, ter convocado representantes de um grupo de 15 ex-deputados, expulsos do parlamento, depois de terem deixado de pertencer ao PAIGC.
"Infelizmente, não podemos continuar nesta reunião com os 15 na sala. Entendemos que o problema dos 15 é um assunto interno do PAIGC que não deve ser resolvido no Palácio, mas sim na sede do partido ou nos tribunais", disse Inácio Correia, primeiro vice-presidente do parlamento.
Também o primeiro vice-presidente do PAIGC e primeiro-ministro, Carlos Correia, justificou o abandono da sala da reunião pelos mesmos motivos.
"Não estamos aqui para discutir a crise de instituições com um grupo de pessoas, mas sim com instituições, por isso abandonámos a sala", observou Carlos Correia.
Mesmo com o abandono das duas delegações, a reunião prossegue no Palácio da Presidência, juntando o Presidente, José Mário Vaz, e representações dos 15 deputados expulsos, do Partido da Renovação Social (PRS, oposição), sociedade civil e elementos da comunidade internacional, estes últimos convidados apenas a testemunhar o encontro.
MB // VM
Lusa

O Presidente da República, José Mário Vaz, marcou para hoje, uma nova reunião entre os atores políticos no Parlamento do país

Resultado de imagem para Presidente da Guiné-Bissau"Durante o encontro, o chefe de Estado vai apresentar, para discussão, os contributos e comentários feitos pelas diferentes partes ao projeto de acordo político", que o próprio Vaz lançou na última semana.

O Presidente da Guiné-Bissau apresentouna quinta-feira da semana passada uma proposta para que fosse anulada a expulsão de 15 deputados do PAIGC, que o partido afastou por pretenderem juntar-se à oposição para derrubar o governo eleito e formar um outro.

Na mesma proposta, Vaz defende que o atual Governo devia tomar medidas no sentido de gerar consenso acerca dos seus planos de governação.

Por seu lado, a Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento guineense) aguarda por uma decisão do Tribunal da Relação sobre a validade da perda de mandato dos 15 deputados contestatários do PAIGC para poder retomar os trabalhos - no quais se inclui a discussão do Orçamento de Estado para este ano.

O PAIGC, partido no poder que já responsabilizou o Presidente pela crise, considerou a proposta de José Mário Vaz "inaceitável".

Aquela força política recordou, em carta dirigida ao chefe de Estado na segunda-feira, que venceu as eleições de 2014 com maioria absoluta e, em último caso, remete o desfecho da situação para a decisão dos tribunais.

LFO // EL

Lusa

O chefe das Forças Armadas general Biague Nan Tan, denuncia aliciamentos e avisa que não vai tolerar golpes de Estado


Resultado de imagem para Guiné-Bissau, general Biague Nan Tan
O chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general Biague Nan Tan, denunciou hoje tentativas de aliciamento de militares para "criarem confusão" e disse que não vai tolerar golpes de Estado.

"Vou avisando: não tenho prisão para colocar o soldado que tentar dar um golpe de Estado. O seu lugar será no cemitério. Comigo aqui não há lugar para golpes", avisou numa cerimónia perante militares.
O general fez referência a "indivíduos que ao invés de investirem o seu dinheiro na campanha da castanha do caju [principal produto de exportação do país], gastam-no na tentativa de instigar os soldados para que criem confusão", sem especificar a que situações se refere.
Nan Tan sublinhou a ideia de tolerância zero a insubordinações militares, que têm sido crónicas na história guineense, numa altura em que o país vive uma crise política que opõe o Presidente da República e o PAIGC, partido no Governo.
O líder militar falava durante um discurso em crioulo ao receber os tradicionais cumprimentos de ano novo por parte de soldados e oficiais das Forcas Armadas, no Quartel-General, em Bissau.
Aquando da passagem do ano, Nan Tan encontrava-se em tratamento médico no estrangeiro, pelo que só agora a cerimónia ser realizou.
Num evento presenciado por oficiais generais, entre os quais o líder do golpe de Estado militar de 2012 e ex-chefe das Forças Armadas guineenses, general António Indjai, Biague Nan Tan disse estar contra qualquer tentativa de alteração à ordem constitucional.
A história provou que golpes de Estado apenas trouxeram ao país "a desgraça e o sofrimento" pelo que não serão mais tolerados, reiterou.
O general lembrou ainda que, por causa de golpes de Estado, vários oficiais das Forças Armadas guineenses foram sancionados pela comunidade internacional ao ponto de ainda hoje não poderem sair do país, nem para tratamento médico.
Nan Tan aproveitou a ocasião para apelar à comunidade internacional a levantar as sanções, mediante a promessa de os militares não voltarem a protagonizar golpes.
O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses disse que a hora deve ser de unidade entre os militares para que possam ter a sua formação e de vigilância dos oficiais a favor da paz no país.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Petrolífera australiana entra na prospeção na zona conjunta do Senegal e Guiné-Bissau


Petrolífera australiana entra na prospeção na zona conjunta do Senegal e Guiné-BissauUma subsidiária senegalesa da Woodside, empresa petrolífera australiana, entrou na prospeção de um bloco localizado na zona de desenvolvimento conjunto entre o Senegal e a Guiné-Bissau, anunciou a firma. 

A subsidiária "chegou a acordo com a Oil Impact & Gas para adquirir 65% do contrato de partilha e acordo de operação conjunta associada no bloco profundo" da zona conjunta, anunciou a Woodside em comunicado.
O contrato cobre aproximadamente 6.700 quilómetros quadrados de fundo oceânico, com profundidades a variar entre 1.400 a 3.700 metros.

Apesar da prospeção realizada ao longo de várias décadas, não há extração de petróleo nas águas do Senegal ou Guiné-Bissau.

Peter Coleman, CEO da Woodside refere que o negócio agora acordado representa uma oportunidade para a empresa "garantir acesso a uma superfície de alta qualidade numa área de interesse".

"Isto complementa-se com as recentes aquisições nos Camarões, Gabão e Marrocos e reflete a nossa abordagem disciplinada e estratégica para estudar sistemas petrolíferos regionais", disse Coleman.

LFO // EL

Lusa

Tribunal manda penhorar bens da Federação de Futebol da Guiné-Bissau


Tribunal manda penhorar bens da Federação de Futebol da Guiné-Bissau

A Federação de Futebol da Guiné-Bissau tem os computadores e um gerador elétrico penhorados por uma alegada dívida a um antigo dirigente da Liga de Clubes, disse à Lusa fonte judicial.

Segundo a fonte, o Tribunal de Trabalho de Bissau deu provimento a um pedido de penhora feita por Idrissa Baio, antigo secretário-geral da Liga de Clubes de Futebol, o qual reclama uma divida de três milhões de francos CFA (cerca de 4.500 euros).
O vice-presidente da Federação, Joãozinho Mendes, admitiu a existência da dívida, mas lembrou que não foi a sua instituição que a contraiu com Idrissa Baio, mas sim a Liga dos Clubes de Futebol, embora a federação a tenha assumido.
"Havia um contrato-programa entre a Federação e a Liga, mas quando a nossa direção assumiu a federação, o contrato foi dado por findo e nessa altura existia essa divida", explicou Joãozinho Mendes.
O ex-secretário-geral exigiu ainda à Liga que pagasse a divida, mas a instituição alegou falta de verbas e remeteu para a Federação a sua quitação, disse Joãozinho Mendes, salientando que parte desse valor já foi entregue a Idrissa Baio.
Ficou acordado que o resto do dinheiro, cerca de dois milhões de francos CFA (cerca de três mil euros), seriam pagos de forma faseada, compromisso que a Federação não tem cumprido, reconheceu Mendes.
Mesmo assim, aquele responsável diz não entender o recurso à justiça, nem o facto de no mesmo dia ter sido solicitada a penhora e obtido o deferimento do juiz.
"O mais estranho ainda foi o facto de uma simples penhora, sem remoção, ter sido feita com cobertura mediática e tudo", disse Joãozinho Mendes, frisando que o ex-secretário-geral da Liga de Clubes "está a ser instrumentalizado por alguém", que não especificou.
Por seu lado, Idrissa Baio disse ter recorrido à justiça por se sentir "cansado de tanto incumprimento" por parte da Federação.
MB // NFO
Lusa

PR "já tem em mãos" propostas para resolver crise política (Como pode o principal responsável pela crise ser o mediador ? , só mesmo na Guiné-Bissau)

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, "já tem em mãos" três propostas para resolver a crise política no país, disse hoje o representante da União Africana, Ovídio Pequeno.

O diplomata são-tomense representou a comunidade internacional nas auscultações, em separado, que José Mário Vaz tem feito com os principais atores da crise política que assola a Guiné-Bissau de forma acentuada desde dezembro.

Ovídio Pequeno não revelou à imprensa o teor das propostas, mas adiantou serem soluções concretas e que, agora, José Mário Vaz prometeu estudá-las e tomar uma posição para resolver a crise.

Questionado sobre se as hipóteses passariam pela formação de um Governo de unidade nacional, o representante da União Africana afirmou que a ideia não foi abordada com o chefe de Estado guineense.

Ovídio Pequeno disse que há uma "evolução" na crise guineense, tendo em conta que as partes apresentaram propostas concretas ao chefe de Estado, pelo que é preciso aguardar pela posição a ser tomada por José Mário Vaz, disse.

O Presidente guineense recebeu hoje, em audiências separadas, os representantes dos dois principais partidos no Parlamento, PAIGC e PRS e ainda dos 15 deputados expulsos do hemiciclo, mas as posições que todos defendem para a saída da crise mantêm-se divergentes.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016


A Guiné-Bissau manifestou hoje, perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, a intenção de organizar em Nova Iorque uma reunião com os seus parceiros internacionais no mês de março.




"O compromisso dos nossos parceiros regionais e sub-regionais, dos nossos amigos e da comunidade internacional tem sido muito útil na construção de paz. É por isso que, em articulação com a CEDEAO e a CPLP, o Governo deseja que a próximo reunião do grupo aconteça em Nova Iorque no final de março", disse Maria-Antonieta Pinto Lopes D`Alva, encarregada de Negócios da missão do país junto das Nações Unidas.

Lopes D`Alva falava durante um encontro do Conselho de Segurança em que o Representante Especial para a Guiné-Bissau, Miguel Trovoada, apresentou o último relatório da ONU sobre o país.

A diplomata disse que o país "atravessa sérias crises políticas que comprometem o normal funcionamento das instituições do Estado e colocam em risco os ganhos conseguidos depois das eleições gerais de 2014 e os sinais encorajadores do encontro internacional de doadores".

"Como se pode ver, a instabilidade na Guiné-Bissau não termina com eleições, e a situação agora enfrentada é exemplo disso. Por isso, continuamos a pedir à comunidade internacional que se mantenha empenhada em consolidar as nossas estruturas e a trabalhar com as autoridades nacionais num papel de guia e parte de um dialogo franco e aberto que previna outras crises que ameaçam a paz e estabilidade", defendeu Lopes D`Alva.

Na sua comunicação, Miguel Trovoada apresentou as conclusões do último relatório da ONU sobre a Guiné-Bissau.

No documento, o secretário-geral mostra-se preocupado com a situação no país, pede a renovação do mandato da missão da ONU, Uniogbis, que termina este mês, e aborda o tema do financiamento da missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Também participou no encontro o embaixador do Brasil junto das Nações Unidas, António Patriota, que preside ao Grupo de Contacto para a Guiné-Bissau da Comissão de Consolidação da Paz na ONU.

Patriota pediu aos membros do Conselho de Segurança que financiem a ECOMIB, a força de manutenção de paz da CEDEAO na Guiné-Bissau, que tem tido problemas de financiamento.

Na sua comunicação, Patriota falou ainda da situação política no país.

"O falhanço da classe política em alcançar um consenso em determinados assuntos que colocariam a Guiné-Bissau no caminho da estabilidade gerou um indesejado e longo período de incerteza", disse o diplomata.

Após estas comunicações terem sido apresentadas, os membros do Conselho de Segurança prosseguiram para um encontro à porta fechada.

O Conselho de Segurança deve votar a extensão do mandato da Uniogbis a 26 de fevereiro.

Instabilidade política ameaça campanha de caju na Guiné-Bissau



O presidente da nova Câmara de Comércio da Guiné-Bissau, Mamadu Saliu Lamba, considera que a crise política no país pode afetar a campanha de caju, principal produto de exportação guineense.

A pouco mais de um mês do início da campanha, Lamba receia que os dirigentes estejam "mais preocupados com querelas políticas".

O presidente da Câmara de Comércio da Guiné-Bissau observou que "nada tem sido feito" para preparar a colheita e exportação.

É raro ouvir alguém das autoridades falar da campanha de caju, atividade que, em condições de normalidade governativa, costuma prender a atenção dos dirigentes do país durante todo ano.

Saliu Lamba disse que em 2015 o país não sentiu os efeitos da crise governativa (motivada pela demissão do executivo pelo Presidente da República) porque, afirmou, a campanha iniciada em abril correu da melhor forma, beneficiando de uma conjuntura internacional favorável.

Dados do Governo indicam que, pela primeira vez, o caju foi comprado ao agricultor a preços que chegaram aos 700 francos CFA (cerca de um euro) por quilo, o que para o presidente da Câmara de Comércio foi um acréscimo de cerca de 700 por cento nas contas habituais dos agricultores.

Para a presente campanha, Lamba diz ter "fortes receios" de que a "instabilidade política venha a favorecer apenas o comprador final" do caju guineense.

"Estamos a ver que ainda nada foi feito. Os preparativos deviam começar no mês de novembro", notou o dirigente da Camara do Comércio guineense, numa referência aos anúncios governamentais sobre preços de referência e outros parâmetros da atividade.

Aquele responsável alerta ainda para o facto de os bancos comerciais também estarem na expectativa antes de avançar com os empréstimos aos operadores económicos.

De acordo com Saliu Lamba "toda gente está expectante quanto ao desfecho da crise política", deixando de lado aquela que é a principal atividade económica do país, disse.

A Guiné-Bissau produz anualmente cerca de 200 mil toneladas da castanha do caju, das quais exporta quase 80% para o mercado indiano.

Dados do Governo apontam que, em condições normais, cerca de 80% da população rural guineense envolve-se na campanha de caju.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Presidência da Guiné-Bissau anuncia documento com propostas para resolver a crise política

Resultado de imagem para presidente da guiné bissauBissau, 11 Fev (Inforpress) - A Presidência da República da Guiné-Bissau anunciou hoje que vai ser redigido um documento com propostas para resolver a crise política no país.A tarefa está a cargo de uma comissão "com o objectivo de proceder à conjugação e harmonização das propostas apresentadas pelas partes, consolidando-as num único documento", refere um comunicado da presidência.

Este documento único é anunciado após encontros promovidos pelo Presidente da República (PR), José Mário Vaz, com o intuito de resolver a crise.


Um grupo de 15 deputados expulsos do PAIGC juntou-se em Janeiro à oposição (PRS) para formar uma nova maioria parlamentar que pretende derrubar o Governo.Mas o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) defende que os 15 deputados perderam o mandato, foram substituídos e a normalidade política foi reposta.
Tanto o PAIGC como a mesa da Assembleia Nacional Popular abandonaram, por isso, os encontros promovidos pelo PR, reuniões em que também tomaram assento o "grupo dos 15", o Partido da Renovação Social (PRS) e organizações da sociedade civil.
PAIGC e a mesa do parlamento não reconhecem legitimidade aos deputados expulsos para ser fazerem representar ao nível de instituições do Estado.
No entanto, no comunicado de hoje, a Presidência espera "ainda poder contar com a contribuição do PAIGC e da mesa da ANP" ao lado das restantes partes envolvidas, solicitando que sejam as organizações da sociedade civil a chamá-los à mesa.
"O próximo encontro, em data a anunciar oportunamente, consistirá na apreciação desse documento" que deverá unificar as propostas para resolver a crise.
Lusa/Inforpress/fim

Comunidade internacional saturada com instabilidade na Guiné-Bissau


media
O antigo presidente nigeriano Olusegun Obasanjo deixou Bissau inconformado com o impasse político. A CPLP, por seu lado, prossegue os contactos com os actores nacionais que apelam a uma decisão política.

Continua o impasse politico na Guiné-Bissau, com as partes irredutíveis nas suas posições o que já começa a cansar a comunidade internacional.

Perante o impasse e sem forças para alterar o estado das coisas, o mediador da CEDEAO, o antigo Presidente da Nigéria, Olesegun Obasanjo, deixou Bissau na última madrugada visivelmente irritado com a classe politica guineense.

Quem ainda vai tentando aproximar as partes é a delegação da CPLP, a comunidade lusófona, integrada pelo chefe da diplomacia de Timor-Leste, Hernâni Coelho e pelo secretário-executivo da organização, o moçambicano, Murade Murargy.

Os dois responsáveis lusófonos desdobraram-se esta quinta-feira em contactos. Estiveram no Supremo Tribunal de Justiça e no Parlamento.


Serão recebidos ainda esta quinta-feira pelo primeiro-ministro, Carlos Correia. Na quarta-feira estiveram na presidência da República.

A CPLP entende que a solução para a crise deve ser encontrada pelos próprios guineenses, no campo político, sem descurar, contudo, o aspeto jurídico da questão.