sábado, 20 de dezembro de 2014

COMUNICADO DE IMPRENSA : O BOAD prevê realizar empréstimos a médio e longo prazo de mais de 1100 mil milhões de francos CFA durante os próximos 5 anos

unnamed (4)Será dada uma ênfase particular à prospeção de cofinanciamentos, à obtenção de créditos e à promoção de parcerias público-privadas.

COTONOU, Benin, December 17, 2014/African Press Organization (APO)/ -- O Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento da África ocidental (BOAD) (http://www.boad.org/) realizou a sua 95.ª sessão ordinária a 15 de Dezembro de 2014, em Cotonou, sob a presidência do senhor Christian ADOVELANDE, Presidente do Conselho de Administração, Presidente do BOAD.

Após ter adotado a ata da 94. A reunião realizada em Lomé a 23 de setembro de 2014, o Conselho examinou e aprovou as perspetivas financeiras atualizadas (PFA) 2014-2018, assim como o projeto de programa orçamental 2015-2017.

As PFA fixam os níveis de atividade por domínio de intervenção, estimam os volumes de recursos financeiros necessários à cobertura dos compromissos assumidos e definem as condições de intervenção do Banco.

Durante o período de 2015-2018 o BOAD pondera as aprovações de empréstimos a longo e médio prazo no valor de 1100 mil milhões de francos CFA. Este número não inclui o Fundo de desenvolvimento para a energia (FDE) elaborado pela UEMOA e gerido pelo BOAD.

Os níveis de intervenção previstos para um período de cinco anos são de 217 mil milhões de francos CFA para os empréstimos a curto prazo, de 48,9 mil milhões de francos CFA para as tomadas de participação, e de 20 mil milhões de francos CFA para a garantia. Será dada uma ênfase particular à prospeção de cofinanciamentos, à obtenção de créditos e à promoção de parcerias público-privadas.

A mobilização de recursos será uma das prioridades, a fim de permitir à instituição melhor acompanhar os Estados nos seus ambiciosos programas de desenvolvimento. O BOAD deverá assim mobilizar, até 2018, recursos de empréstimos e recursos próprios num montante mínimo de 1500 mil milhões de francos CFA. Neste âmbito, o Banco prevê recorrer ao mercado regional de capitais, para obter cerca de 725 mil milhões de francos CFA ao longo de quatro anos, e recorrer ao mercado financeiro internacional para a obtenção de um empréstimo de 250 mil milhões de francos CFA.

A elaboração das PFA realizou-se num contexto marcado especialmente pela adoção, durante o mês de setembro, do novo plano estratégico 2015-2019, cujo âmbito é de fazer do BOAD «um banco de forte desenvolvimento, para a integração e a transformação económicas da África Ocidental». Esta visão encontra-se definida através de quatro grandes linhas:

•          Acelerar a integração regional através de um financiamento sustentado das infraestruturas;

•          Apoiar o crescimento, incluindo a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável;

•          Acompanhar as empresas e os Estados, desenvolver a necessária engenharia do financiamento e dos serviços;

•          Aprofundar o processo de mobilização e de recursos.

O programa orçamental de 2015-2017 adotado pelo Conselho foi elaborado em conformidade com as orientações contidas no Plano Estratégico e nas PFA.

Para além disso, os Administradores aprovaram quatro proposições de empréstimo de um montante global de 44 mil milhões de francos FCA:

•          Ordenamento de 8000 hectares do aterro de Kandara na zona de Djenné (Mali).  Montante: 10 mil milhões de francos CFA.

•          Saneamento das águas residuais e drenagem das águas pluviais da cidade de Fatick (Senegal). Montante: 9 mil milhões de francos CFA.

•          Ordenamento e alcatroamento da estrada de Adzopé-Yakassé Attobrou (Costa do Marfim). Montante: 10 mil milhões de francos CFA.

•          Pavimentação de ruas e saneamento das cidades de Bembéréké, Bonou, Bopa, Dogbo, Ifangni, Kalalé, Karimama, Tanguiéta, Zakopta e Zè (Benim). Montante: 15 mil milhões de francos CFA.

Estes novos financiamentos autorizados elevam o montante global dos financiamentos do BOAD a 3181,12 mil milhões de francos CFA, com exceção do curto prazo e tomadas de participação, correspondentes a 726 projetos.

Os administradores aprovaram igualmente proposições relativas aos seguintes processos:

•          Tomada de participação do BOAD ao aumento do capital social do ORABANK da Costa do Marfim. De um montante de 10,395 mil milhões de FCFA, esta operação eleva a participação do BOAD a 16,995 mil milhões de francos CFA, ou seja 45,32% do capital do banco costa-marfinense ;

•          Abertura de uma segunda linha de crédito do Banco de Desenvolvimento da China (BDC) ao BOAD. De um montante global de 100 milhões de euros, seja 65,595 mil milhões de francos CFA, esta linha de crédito será repartida em duas partes.

O Conselho manifestou o seu parecer favorável na Nota explicativa da situação e das perspetivas de restruturação do Grupo do Banco Regional de Solidariedade (BRS); assim como o estado de cobrança dos créditos sobre os empréstimos do BOAD a 30 de novembro de 2014.  Enfim, o Conselho tomou conhecimento dos seguintes dossiês: Ata da 19.ª reunião do Comité de Auditoria do BOAD, progresso da aplicação operacional do plano diretor do BOAD no domínio da informática; Nota de síntese das avaliações retrospetivas de desempenho, elaboração da Implementação da Decisão do Conselho dos Ministros relativa à concessão ao BOAD dos recursos correspondentes a uma dotação inicial do Fundo de Desenvolvimento da Energia (FDE); Ata da reunião ordinária do Conselho de Ministros da UEMOA que teve lugar em Lomé a 24 e 25 de setembro de 2014.

Ao concluir os trabalhos, o Presidente Christian ADOVELANDE, em nome do Conselho de Administração, agradeceu às autoridades do Benim pela receção calorosa e fraternal reservada aos Administradores, assim como pelas disposições materiais e organizacionais que permitiram a realização desta sessão nas melhores condições.

Distribuído pela APO (African Press Organization) em nome da Banco de Desenvolvimento da África Ocidental (BOAD).

COMUNICADO DE IMPRENSA Eliminar o Ébola na Libéria

Uma iniciativa africana inovadora para reforçar os sistemas alimentares e combater a doença do vírus Ébola

NAIROBI, Kenya, December 16, 2014/African Press Organization (APO)/ -- Milhares de agricultores mais desfavorecidos na Libéria vão beneficiar de uma iniciativa inovadora de distribuição de sementes melhoradas, garantindo as estratégias de segurança alimentar e as estratégias da luta contra a doença do vírus Ébola na Libéria.

Esta iniciativa, a cargo da AGRA (Aliança para uma Revolução Verde em África) (http://www.agra.org) em parceria com o governo e outras partes interessadas, visa reforçar o frágil sistema alimentar, ao fornecer sementes de qualidade em conjunto com mensagens de prevenção do Ébola aos agricultores – muitos dos quais não têm acesso a produtos essenciais, nomeadamente a sementes melhoradas.

“Os 50 milhões de toneladas de sementes de milho amarelo de alto rendimento oferecidos como donativo hoje, irão contribuir muito para garantir que os agricultores mais desfavorecidos e respetivas famílias permaneçam seguros, a nível alimentar, durante este difícil período da epidemia da doença do vírus Ébola”, refere a Presidente da AGRA, Dra. Agnes Kalibata. “Não queremos que a epidemia de febre do vírus Ébola se transforme numa crise alimentar.”

“A febre do vírus Ébola tem o potencial de perturbar os nossos sistemas alimentares, uma vez que afeta as partes mais produtivas das nossas economias, tal como aconteceu com a pandemia do VIH/SIDA há alguns anos. A AGRA construiu uma plataforma que ajuda a fornecer não só os meios necessários para a produção agrícola mas também a transmitir mensagens sobre higiene e de sensibilização de saúde às populações”, afirmou o Sr. Strive Masiyiwa, Presidente do Conselho de Administração da AGRA e Diretor Executivo da Econet Wireless. “Estou muito entusiasmado por ver a AGRA a consolidar um apoio à pequena agricultura na Libéria em parceria com o governo e o setor privado, combatendo simultaneamente o vírus Ébola” e acrescentou que a plataforma implementada pela AGRA, dirigida por africanos, é um dos mecanismos de distribuição mais eficazes em África.

Apesar de a Libéria ser um país extremamente dependente da agricultura, o setor sofreu graves contratempos com um grande número dos seus agricultores incapazes de produzir a um nível ideal. Esta situação foi agravada pelo impacto negativo da febre do vírus Ébola, onde o medo da doença levou os agricultores a abandonar os seus campos. A nova iniciativa da AGRA, com início na Libéria, tem como alvo os agricultores mais desfavorecidos em quatro províncias. As sementes de milho de alto rendimento têm o potencial de aumentar as colheitas em um fator de dois ou três, reduzindo a pressão sobre o fornecimento de alimentos, enquanto as mensagens de sensibilização do Ébola e o fornecimento de utensílios simples, como baldes e sabão, vão proporcionar aos agricultores a primeira linha de defesa contra a doença.

Para desenvolver esta iniciativa, a AGRA trabalhou em conjunto com os governos da Libéria e da Costa do Marfim, com o Banco Africano de Desenvolvimento e o setor privado do Mali. “A AGRA está extremamente grata ao Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, o Dr. Donald Kaberuka, e ao governo da Costa do Marfim pelo apoio prestado no encaminhamento em tempo útil das sementes na fronteira da Costa do Marfim com a Libéria", afirmou o Dr. Kalibata.

“Com este apoio da Fundação de Desenvolvimento Econet e em resposta à iminente crise alimentar no país, o nosso Programa para Sistemas de Sementes Africanas (PASS) irá intensificar a sua intervenção através do acesso a sementes de alta qualidade para melhorar a prática agrícola e a disponibilidade de alimentos dos agricultores liberianos”, afirmou o Diretor da PASS, Dr. Joe DeVries. “Iremos trabalhar em parceria com os Ministérios da Agricultura e Saúde, empresas sementeiras privadas, organizações rurais nacionais e outros parceiros locais para garantir que esta ajuda fornecida chega aos agricultores afetados.”

Embora este conjunto de sementes seja distribuído gratuitamente, devido às pressões financeiras a que os agricultores estão sujeitos, a iniciativa é parte integrante de uma abordagem da AGRA com vista a garantir melhores sistemas alimentares. Criando empresas sementeiras e formando vendedores de produtos agrícolas, criam-se incentivos de mercado adequados, assegurando uma sustentabilidade económica a longo prazo.

Com o apoio da Fundação Howard G. Buffett, o PASS tem trabalhado para desenvolver um sistema de sementes com base na procura de sementes de qualidade por parte dos agricultores. A organização apoia atualmente três empresas locais de sementes na produção, multiplicação e disponibilização de sementes de qualidade aos agricultores. O PASS também concedeu subvenções ao CARI (Instituto Central de Investigação em Agricultura) para a realização de investigação sobre alimentos básicos como o arroz, a mandioca e o milho, de forma a melhorar a produtividade agrícola e deu formação a oito especialistas liberianos em sementes na Universidade de Ciência e Tecnologia de Kwame Nkrumah, no Gana, na tentativa de garantir que os agricultores no país deixem de utilizar sementes de baixo rendimento para passarem a utilizar sementes de alto rendimento.

Distribuído pela APO (African Press Organization) em nome da Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA).

Sobre a AGRA

A AGRA (http://www.agra.org) é uma parceria dinâmica que trabalha em todo o continente africano para ajudar milhões de agricultores mais desfavorecidos e as suas respetivas famílias a saírem da pobreza e a evitarem a fome. Os programas da AGRA desenvolvem soluções práticas para aumentar significativamente a produtividade agrícola e os rendimentos dos mais pobres, protegendo simultaneamente o ambiente. A AGRA defende políticas que apoiem o seu trabalho em todos os principais aspetos da cadeia africana de valores agrícolas — desde sementes, saúde do solo e água até aos mercados e educação agrícola. A AGRA trabalha em toda a África subsariana e mantém uma sede em Nairobi, Quénia, e escritórios regionais no Gana, Mali, Moçambique e Tanzânia. O Conselho de Administração da AGRA nomeou recentemente a antiga ministra ruandesa, a Dra. Agnes Kalibata, como Presidente da organização. Saiba mais em www.agra.org

Ébola: Portugal financia laboratório móvel para a Guiné-Bissau

O Governo português anunciou uma contribuição de 550 mil euros para a instalação de um laboratório móvel de despistagem do vírus ébola na Guiné-Bissau, numa reposta a um pedido de ajuda das autoridades guineenses.Epidemia de febre hemorrágica na África Ocidental já fez 6.841 mortos, num total de 18.464 casos identificados, segundo a OMS.
"O Ministério dos Negócios Estrangeiros irá contribuir com uma ajuda de 550 mil euros, destinada a financiar a instalação e o funcionamento de um laboratório móvel para o diagnóstico de infecções", disse o chefe da diplomacia portuguesa, Rui Machete, numa conferência de imprensa no Palácio das Necessidades, em Lisboa, em conjunto com o ministro da Saúde, Paulo Macedo.

Segundo Machete, esta é uma "acção extraordinária de política externa executada em colaboração com o Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)".
O ministro Paulo Macedo referiu que o laboratório móvel deve estar pronto a funcionar "no final de Janeiro".

Para Rui Machete, esta contribuição "tem por objectivo colmatar as dificuldades de diagnóstico da doença na Guiné-Bissau, dotando o país de um laboratório que irá permitir o acesso a informação de carácter epidemiológico, e dessa forma viabilizar uma resposta de grande importância às vertentes de prevenção e de combate a esta ameaça".

Machete esclareceu que Portugal, através do instituto Camões, e com o apoio do INFARMED e de empresas farmacêuticas, enviou recentemente mais de 20 toneladas de medicamentos para a Guiné-Bissau e que, "de igual forma, o Camões tem mantido uma estreita colaboração com a câmara municipal de Bissau, numa campanha de higienização das ruas da capital guineense".

O ministro referiu ainda que esta contribuição soma-se a outros envios de materiais de limpeza, saúde, medicamentos e outros tipos de ajudas já fornecidas para a prevenção do ébola na Guiné-Bissau.

"Ao nível multilateral, Portugal irá também contribuir, até ao final deste ano, com 200 mil euros para os esforços que estão a ser desenvolvidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate a esta doença", sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros, referindo que a ajuda vai ao encontro de um pedido das autoridades norte-americanas.

A epidemia de febre hemorrágica na África Ocidental já fez 6.841 mortos, num total de 18.464 casos identificados nos três países mais afectados, de acordo com a OMS.

Mães de crianças vítimas de mutilação condenadas a três anos de prisão

Bissau - O Tribunal Regional de Bissau condenou na quarta-feira, 17 de Dezembro, a três anos de prisão efetiva e uma multa avaliada em mil dólares (cerca de 800 euros) as mães das crianças vítimas de mutilação genital feminina, em Setembro.


A mesma pena foi aplicada também a Fanatéca, enquanto o pai de uma das crianças foi sentenciado com uma pena de 12 meses, convertida em multa no valor de 360 dólares (cerca de 288 euros).

O julgamento, iniciado a 3 de Dezembro, e a condenação deste caso, primeira desde que a lei foi adoptada em 2011, representa um sinal forte das autoridades guineenses em erradicar a prática na Guiné-Bissau.

Empresa dos EUA assume controlo de segurança do Aeroporto Osvaldo Vieira acordo assinado esta quarta-feira

Bissau – A empresa norte-americana de segurança SECURIPORT LLC vai assumir o controlo de segurança do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira.


O acordo para este efeito foi assinado esta quarta-feira, 17 de Dezembro, entre a referida empresa e o Governo da Guiné-Bissau, através do secretário de Estado dos Transportes, João Bernardo Vieira, do secretário de Estado da Ordem Pública, Doménico Sanca, e do vice-Presidente da firma, Goerge Canovas.

Em declarações à Imprensa, Goerge Canovas mostrou-se satisfeito com o acordo rubricado com as autoridades guineenses no domínio do controlo de segurança do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira.
Por sua vez o titular da pasta de secretário de Estado dos Transportes disse que os trabalhos da empresa vão incluir a segurança documental, além das pessoas em viagem.

Foi neste âmbito que o secretário de Estado da Ordem Pública disse que o Executivo está preocupado e empenhado na segurança dos guineenses e no seu sistema aeroportuário, manifestando satisfação pela assinatura deste documento.

«Esta parceria vai permitir que haja melhorias nos serviços do aeroporto, tanto para o turismo como para os passageiros em geral», disse Doménico Sanca, garantindo que haverá mais segurança para todas as pessoas que desejam viajar a partir desta data com destino à Guiné-Bissau.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Emoção, alegria e sentimento de justiça social marcam a primeira colação de grau da Unilab

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Uma noite de emoção e primeiras vezes. Primeira colação de grau da Unilab, uma universidade pública ainda jovem, cravada no Maciço de Baturité, no interior do Ceará. Primeira graduação de 57 estudantes da turma “Luís Inácio Lula da Silva” e, mais ainda, a primeira graduação de muitas famílias. Assim foi a noite da última sexta-feira (12), a formatura do curso de Bacharelado em Humanidades (BHU), realizada no Campus das Auroras, entre os municípios de Redenção e Acarape, no Ceará.

“Eu sou o primeiro da minha família a concluir o ensino superior” foi a frase quase unânime, mostrando o lugar que a Unilab ocupa na luta por uma sociedade em que os historicamente excluídos possam ter vez, construir uma nova história, contá-la a partir de seu lugar social.unnamed (1)

Outras expressões recorrentes na noite foram “gratidão”, “oportunidade” e “orgulho”, presentes em um momento de felicidade partilhado com familiares, colegas, professores, técnico-administrativos e colaboradores da Unilab, que lotavam o Campus das Auroras ao som da Orquestra Eleazar de Carvalho.

Carlos Santos, de 26 anos, cruzou o Atlântico para estudar na universidade. Vindo de Cabo Verde, o estudante, um pouco nervoso, tinha as mãos frias, mas o olhar pleno de esperança. “Hoje estou esperando o melhor. Suspiro de alívio, de tranquilidade, de ter conseguido a primeira etapa, que era fazer o BHU. Mas não posso falar disso sem falar da minha família, da minha origem, a gente tem que falar de onde vem. Eu venho de Cabo Verde, de uma família humilde, que não tem tradição de escolaridade. Basicamente sou o primeiro a ter um curso, e isso é motivo de orgulho para mim mesmo e minha família. Hoje é um momento de agradecer a todos que contribuíram para esse dia, um dia tão esperado”, afirmou.

Mãe da concludente Wilquelina Ponciano, a auxiliar de serviços gerais, Luísa Maria Ponciano, era só alegria. “Estou muito feliz de ela estar se formando. Fico muito agradecida, primeiramente a Deus e depois a ela, que se interessou. Que ela seja muito feliz, que Deus ilumine mais os passos dela e que siga em frente”, disse. Já a estudante, primeira da família a concluir o ensino superior, descreveu o momento como “um privilégio e emoção muito grande”. Agora, cursará a terminalidade de Sociologia. A família mora em Guaiúba, município da região metropolitana de Fortaleza.

Oriundo do Maciço de Baturité, município de Acarape, o jovem Walef Santos, de 20 anos, tem a certeza de que a formatura é só o primeiro passo de um longo caminho de estudos que trilhará. “É um sentimento de muita felicidade, estou realizando um grande sonho da minha vida, que é me formar. Foi muito difícil o trajeto, mas deu certo e vou continuar. Eu sou o primeiro da minha família a ter ensino superior e espero que meus irmãos me tenham como exemplo”, contou.

Aos 35 anos, Carlene Barbosa vivia uma alegria que não cabia em si e era extravasada nas muitas fotos ao lado de parentes e amigos. Natural do município de Iguatu, na região Centro-Sul do Ceará, mudou-se para Redenção, onde mora a filha, a fim de quebrar o destino que parecia já selado. “O curso foi uma oportunidade única e é uma alegria imensa. O que a gente espera, daqui para frente, é continuar os estudos, continuar na Unilab, e daqui a três anos mais uma formação, do segundo ciclo do curso”, declarou.


unnamed (2)A reitora Nilma Lino Gomes uniu sua própria trajetória à dos formandos por um ponto em comum: a origem social humilde. “Muitos dos nossos bacharéis aqui formados representam a primeira geração a cursar o ensino superior na sua família. E para nós que viemos de famílias pobres, com trajetórias de luta por direitos e por inserção social, a conclusão de uma graduação significa muito. Ela representa a conquista de um direito. Para as famílias pobres do Brasil, continente africano e Timor-Leste – e eu venho de uma família com estas características –, cursar o ensino superior não é simplesmente a ordem natural das coisas, o caminho posterior ao ensino médio. Significa a ruptura com uma história de desigualdade e exclusão. Significa a nossa presença em um espaço e tempo que não foi pensado para os pobres e coletivos sociais diversos, mas, sim, para as elites”, frisou.

A reitora destacou ainda o quão desafiador é o projeto da Unilab e desejou que sua proposta se volte para formar sujeitos críticos. “A nossa aposta é que o projeto acadêmico da Unilab seja um projeto educativo e acadêmico emancipatório que, nos dizeres de Boaventura de Sousa Santos, seja capaz de formar sujeitos e mentes inconformistas e rebeldes diante da injustiça, das desigualdades, do racismo e de toda forma de discriminação”, sublinhou.unnamed (3)


Compuseram a mesa de cerimônia a reitora da Unilab, Nilma Lino Gomes; o vice-reitor, Fernando Afonso Ferreira; o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Paulo Speller; a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi/MEC) Macaé Maria dos Santos; a pró-reitora de Graduação, Andréa Linard; a diretora do Instituto de Humanidades e Letras (IHL), Monalisa Valente; a diretora do Campus de Crateús da Universidade Federal do Ceará (UFC) e primeira vice-reitora da Unilab, Maria Elias Soares; o coordenador do curso Humanidades, Maurílio Machado; e o professor do IHL, Américo Souza.

Vaz Martins Estabilidade pode tirar Guiné-Bissau da miséria

Luís Vaz Martins fala de 2015 a sorrir, depois de anos duros: após o golpe de Estado de 2012 na Guiné-Bissau, o presidente da Liga dos Direitos Humanos chegou a viver escondido, afastado da família e sob disfarce.

Estabilidade pode tirar Guiné-Bissau da miséria


"Tive experiências muito amargas, com colegas, por defendermos os direitos humanos e o Estado de direito. Custou-me ter que viver na condição de refugiado dentro do meu próprio país", contou à agência Lusa.

Fações militares e políticas, gozando de impunidade, não toleravam a denúncia de agressões físicas e outras violações dos direitos fundamentais a que nem membros do Governo de transição escaparam.

As eleições deste ano trouxeram estabilidade e esperança e 2015 "deve dar sinais muito fortes no sentido da mudança, para que realmente possamos experimentar formas de viver diferentes da anarquia e do caos que tem sido a realidade", referiu Luís Vaz Martins

Um otimismo moderado ao olhar para a História do país.

"Seria no mínimo utópico pensar que 2015 será o ano de todas as mudanças", disse, até porque a Guiné-Bissau continua a ser "imprevisível", mas perspetiva-se uma viragem decisiva, por exemplo, na organização militar.

"Estou em crer que será o ano do início das grandes reformas no setor da segurança, porque sem elas qualquer crispação no plano político terá repercussões. Porque haverá intervenção das Forças Armadas", sublinhou.

Governo e parceiros internacionais têm falado de desmobilização de muitos militares, por um lado, e formação de novos efetivos, por outro, num setor que "mexe com 40% dos casos de violação dos direitos fundamentais" no território.

"Acredito que os atuais líderes irão colaborar, com o apoio da comunidade internacional, para que haja imediatamente uma reforma nesse setor, sob pena de voltarmos a adiar o país 'sine die'", realçou Luís Vaz Martins.

Noutras áreas, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos disse acreditar na previsão de crescimento económico feita pelo Governo.

E no plano político, considerou expectável que "os consensos encontrados entre diferentes forças políticas se traduzam numa gestão do país mais pacífica", conduzindo a uma "reforma do Estado, no seu todo".

Neste cenário, a melhoria da qualidade de vida deverá ser mensurável e sentida pela população.

"Estamos a falar de 40 anos de autodestruição de um Estado", em que o país "não conseguiu cumprir com os seus principais eixos e objetivos: criar condições de bem-estar para a população, condições de segurança e condições para que se faça justiça em nome do povo", acrescentou.

UE vai apoiar a exportação de panos tradicionais da Guiné-Bissau

A União Europeia (UE) vai apoiar a exportação de panos tradicionais da Guiné-Bissau, no âmbito de um projeto que inclui hoje a inauguração de uma tinturaria em Bafatá, segunda cidade do país, anunciou a delegação guineense da UE.

O projeto de relançamento da cultura de tintura tradicional de Panos em Ponte Nova - Bafatá, visa redinamizar a atividade, "reduzir a pobreza e preservar o património cultural e económico", refere a UE em comunicado.

O projeto arrancou em janeiro de 2013 com uma duração de 36 meses e conta com um orçamento a rondar os 552 milhões de francos CFA (cerca de 842 mil Euros), financiado a 90% pela União Europeia e a 10% por outros doadores, entre os quais o município de Palência, Espanha.

Além do espaço onde são tingidos os tecidos, vai passar a funcionar também um centro multifuncional que inclui uma lavandaria e a sede da Associação das Mulheres de Ponte Nova (AMPN).

Os membros desta associação fazem parte do comité de gestão e manutenção do processo de produção dos panos.

Como tal, está prevista formação em gestão, contabilidade básica, marketing e venda, comunicação para o desenvolvimento, planeamento, práticas de monitorização e avaliação.

Está também nos planos "o apoio à comercialização dos panos tingidos mediante a realização de eventos promocionais na Guiné-Bissau, em Portugal e em Espanha", anuncia a UE.

Haverá ainda troca de informação sobre gestão de resíduos tóxicos e técnicas integradas de tintura de panos.

O projeto inclui a realização de estudos sobre o impacto socioeconómico da emigração das mulheres tintureiras e a transformação da AMPN num modelo de cooperativa.

Todo o trabalho é realizado em conjunto com duas organizações não-governamentais (ONG) guineenses, a DIVUTEC e a UNIMOS.

Dois agentes da Polícia de Ordem Pública detidos sob mandado do MP : Por burla qualificada

Bissau - Dois agentes da Polícia de Ordem Pública (POP) foram detidos há dois dias por alegado envolvimento num episódio de burla qualificada.

Fontes policiais indicam que os agentes, em conluio com alguns civis também detidos, iludiram um emigrante guineense considerado traficante, fingindo que tinham droga para comercializar, mas o que tinham era um falso estupefaciente.

O suposto traficante foi ao encontro de um dos civis, com mais de 20 mil euros, que fingiu estar na posse da substância. Naquela altura apareceram os dois agentes policiais envolvidos na cilada, fingindo tratar-se de uma operação disfarçada e oficial.

Consequentemente, terão furtado o dinheiro e espancado o emigrante, que foi conduzido ao Hospital Nacional Simão Mendes.

O caso encontra-se na Polícia Judiciaria, sob alçada processual do Ministério Público.

A prática tem vitimizado muitos traficantes menores, sobretudo os «correios», que são enganados com pequenos pacotes de droga falsa por parte de alguns civis envolvidos na rede, e depois são alvo de severas punições por parte de agentes policiais.

Consequentemente ficam sem a suposta mercadoria e sem o dinheiro, além de serem submetidos a maus tratos e ameaças, que recebem depois para não denunciarem o caso.

Informações indicam que este caso soma-se a vários outros que não conheceram uma responsabilização judicial.

Continua a polémica sobre a exploração de recursos naturais em Varela : Denunciados comportamentos «anormais e abusivos»

Bissau - A comissão de seguimento do dossier de exploração de areias pesadas de Varela continua a denunciar comportamentos que considera «anormais e abusivos» por parte da empresa russa Poto SARL, que está a explorar e a exportar areias pesadas de Varela.


Falando em conferência de Imprensa esta sexta-feira, 12 de Dezembro, João Alberto Djata, vice-Coordenador da referida comissão, denunciou que mais de 500 toneladas de areia já foram retiradas de Varela e transportadas de Nhiquim para Bissau, afirmando ainda que os recursos em causa estão no perímetro que se situa entre Bissau e Safim, região de Biombo.

Neste sentido, Alberto Djata lançou o desafio ao Primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, no sentido de se pronunciar sobre o dossiê em causa, assim como expressar a sua opinião sobre a exploração dos recursos minerais no país.

«A alavanca da economia do país está na agricultura, pesca e turismo» referiu, tendo afirmado que, com esta exploração, o turismo e outras potencialidades naturais do país poderão estar comprometidos no futuro, naquela zona do norte da Guiné-Bissau.

«Vamos avisar que estamos a preparar uma previdência cautelar junto do Ministério Público, para defender os interesses das populações daquela zona», disse o responsável.

Para o coordenador da comissão, Victor Sanha, o Estado guineense só tinha que confiscar as areias exploradas pela empresa russa, por não ter certificado de conformidade ambiental e estar a extrair e exportar areias, acusando a empresa de estar a explorar os recursos minerais sem que tenha criado o fundo de desenvolvimento local.

Bissau Cidade sem livrarias acolhe feira do livro

NA cidade de Bissau,onde não há livrarias, a Casa dos Direitos e a editora guineense Ku Si Mon promovem até o próximo dia 20 de Dezembro a segunda edição da Feira do Livro de Bissau, anunciaram os organizadores.

Estão à venda cerca de 100 obras especializadas em direitos humanos e de literatura africana graças à colaboração de diversas organizações que disponibilizaram títulos recentemente editados para venda.

A aquisição de outras obras, em livrarias, para poderem ser disponibilizadas na feira, tornou-se possível através da contribuição de quase duas dezenas de pessoas numa campanha de “crowdfunding”, ou seja, financiamento colectivo.

A acção, realizada em Outubro, resultou na recolha de cerca de mil euros, explicaram os promotores do evento. A feira está aberta no Espaço de Memória da Casa dos Direitos, todos os dias úteis, das 09.00 às 17.00 horas. O espaço-café, no piso da feira, estará em funcionamento no mesmo horário.

O presidente do parlamento da Cipriano Cassamá, pede a demissão do actual ministro interino, Domenico Sanca

O presidente do parlamento da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, pede a demissão imediata do actual ministro interino, Domenico Sanca e sua equipa, por humilharem o país e o seu povo


O presidente do parlamento da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, classificou ontem como uma "falha" o encontro de uma comitiva governamental com rebeldes de Casamança (Senegal) em território guineense e pediu a exoneração dos dirigentes civis e militares que a integravam, entre eles o actual ministro interino, Domenico Sanca.

O líder da comitiva, o ministro da Administração Interna, Botche Candé, foi demitido pelo Presidente da República, José Mário Vaz, depois do incidente e segundo o presidente do parlamento, os restantes dirigentes também devem sair.

O parlamento guineense criou uma comissão de inquérito ao caso, cujos resultados foram apresentados na quinta-feira numa sessão à porta fechada. "Botche não deve ser o único a pagar pela falha.

Todos os que lhe o acompanharam, devem ser igualmente responsabilizados", defendeu Cipriano Cassamá, que advoga ainda uma "mudança radical" nos ministérios da Administração Interna e da Defesa.

O presidente do Parlamento guineense exige também que as autoridades guineenses trabalhem no sentido de reconfirmar os pilares (marcos das fronteiras) entre a Guiné-Bissau e o Senegal.

Cassamá diz que vai convocar o ex-ministro da Administração Interna, Botche Candé, para ser ouvido na comissão especializada permanente sobre Defesa.

Ainda não foi nomeado um novo ministro da Administração Interna e Botche demitiu-se a 28 de Novembro.

Caso suspeito de ébola na Guiné-Bissau

Homem proveniente da Guiné-Conacri está em observação em Gabu, juntamente com mais oito cidadãos em quarentena.
Um cidadão que entrou na Guiné-Bissau um dia depois da abertura da fronteira com a vizinha Guiné-Conacri está a ser tratado por suspeita de ébola.

A agência de notícias AFP revelou que o homem, que estava com febre, foi colocado sob vigilância quando tentava atravessar a fronteira de Fulamori na quarta-feira passada, 10.

Na ocasião, ele se aproveitou da pouca segurança na fronteira e escapou-se da observação, tendo tomado um autocarro para Gabo, onde viria a ser detido.

"A temperatura era superior a 39 graus Celsius e, por essa razão, o isolamos, enquanto aguardamos uma análise mais aprofundada", disse Gilda Helena de Almeida Vieira, enfermeira-chefe no posto de saúde na aldeia de Buruntuma.

A mesma fonte indicou que mais oito passageiros foram colocados em quarentena.

"Nós gostaríamos de ver um maior controlo das fronteiras, com mais agentes da Guarda Nacional a impedir que as pessoas recusem fazer o controlo sanitário”, disse Vieira.

O Governo da Guiné-Bissau reabriu a fronteira de 300 quiómetros com a Guiné-Conacri no passado dia 9, depois de a ter encerrado a 12 de Agosto devido à epidemia de ébola que começou exactamente no país vizinho.