quarta-feira, 1 de abril de 2015

Guiné-Bissau acolherá encontro da juventude da CPLP de 5 a 9 de maio

A Guiné-Bissau vai ser palco, de 5 a 9 de maio, do encontro internacional da juventude da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).



O vice-presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ) da Guiné-Bissau, Uffé Vieira, disse em entrevista ser o objetivo do encontro a promoção dum intercâmbio cultural e organizacional entre jovens de Angola, Moçambique, São Tomé, Cabo Verde, Portugal, Brasil, Timor-Leste e da Guiné-Bissau.

Uffé Vieira adiantou que o evento se realiza na sequência do término do mandato da presidência da juventude da CPLP que era até aqui assegurado pela Guiné-Bissau, acrescentando que durante o encontro vão ser realizadas várias atividades entre as quais um seminário internacional sobre o futuro da organização.

Cabo Verde e Guiné ­Bissau cada vez mais próximos ­

De um lado, um país em dificuldades económicas, à procura de implantação na África Ocidental. De outro, um país com potencial económico por explorar, mas à procura de parceiros para ultrapassar uma prolongada crise política. O vaivém de políticos e empresários entre Cabo Verde e Guiné-­Bissau não engana: os dois países estão cada vez mais próximos.


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Segundo o Africa Monitor Intelligence, o Primeiro­Ministro cabo­verdiano, José Maria Neves, tem prevista para breve uma visita à Guiné­Bissau, com o que se dará início à realização anual de cimeiras bilaterais.

stá igualmente a ser preparada a reabertura de ligações marítimas e aéreas regulares, interrompidas no seguimento do golpe de Estado de 2012.

Uma vasta missão empresarial, encabeçada pela ministra do Turismo, Investimentos e Desenvolvimento Empresarial, Leonesa Fortes, esteve recentemente na Guiné­Bissau.

Foram identificadas oportunidades de negócio e potenciais parcerias empresariais, cuja aterialização depende de apoios à internacionalização da economia, que podem vir do estrangeiro.

O bom acolhimento que um reforço dos laços com Cabo Verde suscita em Bissau está bem patente. Presidente da República, Presidente da Assembleia Nacional e Primeiro­Ministro, os três mais altos responsáveis do país, já efectuaram todos visitas a Cabo Verde, apesar de se encontrarem em funções há pouco mais de meio ano.

A aproximação é vista como forma de reanimação da sua desmantelada economia e o fortalecimento da administração do Estado. As afinidades históricas e culturais à Guiné­ Bissau, o bom conhecimento das suas realidades e o estado de apetência à ajuda externa em que o país se encontra, são vistos como favoráveis ao “bom êxito” do esforço actual.

inda segundo o AM Intelligence, a aproximação a Bissau faz parte da nova política externa cabo­verdiana. Com os principais parceiros europeus (Portugal, Espanha, Itália) só agora a emergirem de crise prolongada, o executivo cabo­verdiano reforçou a política de
integração regional da economia e Bissau é considerada uma “boa plataforma”.

Cabo Verde é considerado dos países mais democráticos do continente africano. Para a Guiné­Bissau, o fortalecimento dos laços também traz reflexos positivos em termos da imagem das principais forças políticas, que na semana passada vieram de mesa redonda de
Bruxelas com um montante significativo de promessas de ajuda financeira até 2025.

Campanha de registo de armas de guerra na Guiné-Bissau prolongada até 31 de maio

A campanha de registo de armas de guerra na Guiné-Bissau foi prolongada até 31 de maio para permitir identificar o maior número possível, anunciou fonte militar.

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Segundo o chefe da divisão do Armamento e Técnicas das Forças Armadas guineenses, Leonardo de Carvalho, a campanha, inicialmente agendada para 30 dias, devia ter terminado hoje mas o Estado-Maior General das Forças Armadas e a ministra da Defesa, Cadi Seidi, decidiram prolongá-la por mais dois meses.

"Já recolhemos muitas armas que estavam na posse de pessoas que por lei não podem ter armas de guerra", sublinhou Leonardo de Carvalho, que admite a utilização deste tipo de armas por "muita gente" para ações criminosas.

Aquele responsável escusou-se a dizer quantas armas já foram registadas, e disse que a campanha deixa de lado armas de fogo de uso pessoal, as quais cabem ao Ministério do Interior identificar.

Depois do dia 31 de maio quem não declarar e registar a arma de guerra na sua posse será levado à justiça, adiantou Leonardo de Carvalho, que anunciou para o efeito a realização de uma rusga a ser conduzida por militares.

MB // EL

Lusa

domingo, 29 de março de 2015

Duas pessoas dadas como desaparecidas num naufrágio no sul da Guiné-Bissau

Duas pessoas são dadas como desaparecidas num naufrágio de uma pequena embarcação na região de Cacine, no sul da Guiné-Bissau, disse hoje fonte da secretaria de Estado das Pescas.
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Os dois elementos desaparecidos são membros da tripulação de uma vedeta rápida que transportava elementos da entidade de fiscalização das atividades de pesca (Fiscap) que se encontravam nas operações de desmantelamento de acampamentos de pesca ilegal construídos nas zonas ribeirinhas no sul da Guiné-Bissau.

A vedeta, que transportava 11 pessoas, ter-se-á afundado, na sequência do rombo do casco, indicou à Lusa um dos náufragos. Uma outra vedeta que se encontrava nos arredores prestou socorro aos náufragos, resgatando nove pessoas.

A fonte da secretaria de Estado das Pescas indicou estar em curso uma operação de busca e salvamento envolvendo homens e meios mobilizados a partir das delegacias de Buba, Cacine, Bubaque e Bissau.

Nas últimas semanas a entidade fiscalizadora das atividades de pesca na Guiné-Bissau (Fiscap) tem estado a desmantelar acampamentos de pesca ilegal, por indicação do Governo, que quer banir este fenómeno praticado por pescadores estrangeiros.

José Mário Vaz Presidente da Guiné-Bissau exorta diáspora em Portugal a regressar ao país

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, apelou em Lisboa à comunidade guineense em Portugal para que considere regressar ao país e ajudar na sua reconstrução.
Presidente da Guiné-Bissau exorta diáspora em Portugal a regressar ao país


"Eu vim cá precisamente para apelar-vos: comecem a pensar no vosso regresso. Os riscos que vocês assumem aqui em Portugal, devem aceitar corrê-los na vossa terra natal", declarou, num encontro com a diáspora guineense no Fórum Lisboa.

Depois de sublinhar que conhece bem os problemas dos emigrantes em Portugal, o chefe de Estado guineense acrescentou: "Não estou aqui para vos dar uma lição, estou aqui para ouvir conselhos e para vos dizer como vai a terra que vos viu nascer".

"A Guiné-Bissau é um país de oportunidades, porque nada está feito, está tudo por fazer - e 1,1 milhões de dólares é muito dinheiro", observou José Mário Vaz, referindo-se à ajuda financeira da comunidade internacional que fez questão de agradecer.

"Muito obrigado à comunidade internacional, que nunca virou costas à Guiné-Bissau, apesar de nós não termos sido muito corretos no seu uso: dinheiro dado para comprar copos foi gasto a comprar viaturas...", exemplificou, desencadeando o aplauso no auditório quase cheio.

Salientando que "agora, a bola está do lado da Guiné-Bissau", o Presidente classificou a atual situação do país como "uma oportunidade para os guineenses que estão em Portugal".

"Temos uma grande responsabilidade, meus concidadãos, e cada um tem de fazer o que sabe fazer: temos bons pedreiros, bons carpinteiros, bons eletricistas, bons empresários... Não pensem em ir para a Guiné-Bissau para serem ministros, secretários de Estado, funcionários públicos", advertiu.

"Devem regressar para concorrer com os demais para a concretização de projetos" que contribuam para "a construção do país", porque, acrescentou, se os guineenses não aproveitarem os recursos financeiros disponibilizados pela comunidade internacional "outros estão à espera".

José Mário Vaz explicou que "hoje, na Guiné-Bissau, o Estado é o maior empregador e não pode ser".

"O Estado não pode ser tudo, porque senão enfrenta problemas sérios; o Estado não pode criar riqueza e não pode criar emprego, isso cabe ao setor privado, e temos de ter a coragem de fazer essa reforma", defendeu.

Instando mais uma vez os seus concidadãos a regressar, neste seu primeiro encontro com a diáspora desde que foi eleito, em junho de 2014, o Presidente guineense fê-lo na forma de pedido.

"Eu vou pedir: temos de limpar essa mágoa, esse ódio que está no interior dos guineenses; devemos esquecer o passado e olhar para o futuro, para a construção do país", insistiu, recordando ser sua ambição "contribuir para a mudança radical da Guiné-Bissau", porque acredita que "o Presidente da República tem de ser o homem que está sempre à procura de consensos".

sexta-feira, 27 de março de 2015

Justiça Brasileira determina matrícula de estudante Guineense na Universidade Federal do Rio Grande do Sul Brasil.

Universidade havia negado matrícula de estudante estrangeira. Na decisão, juiz afirma que lei não impede que ela entre pelas cotas.
UFRGS fachada (Foto: Ramon Moser/Divulgação)Jovem foi aprovada no vestibular da UFRGS pelo sistema de cotas
A Justiça Federal determinou a matrícula imediata de uma estudante de Guiné-Bissau que teve seu ingresso negado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Domingas Mendes passou no vestibular para o curso de Serviço Social através do sistema de cotas, mas foi impedida de realizar a inscrição para as aulas. Conforme a UFRGS, ela não cumpria com uma das exigências para cotistas, de ter cursado integralmente o ensino médio em uma escola pública do Brasil.

O juiz Roger Raupp Rios, porém, entendeu que a estrangeira tem direito à matrícula. Na decisão, o magistrado sustenta que a legislação brasileira não excluiu candidatos estrangeiros do sistema de cotas.

"A própria LDBE (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), no referido artigo 44, dispõe que o ensino de graduação está aberto a candidatos 'que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo', sem diferenciar quanto à nacionalidade do estabelecimento de ensino onde foi cursado o ensino médio ou equivalente", avaliou Rios.

O magistrado cita ainda que o país de origem da estudante tem baixo índice de desenvolvimento humano e "é considerado pela Unesco como nação que figura entre os países da África subsahariana com maiores dificuldades educacionais".

A UFRGS afirmou que a matrícula da estudante será realizada, mas que pretende recorrer da decisão.

quinta-feira, 26 de março de 2015

ENEIDA MARTA APRESENTA NOVO ÁLBUM NO PORTO E EM LISBOA "NHA SUNHU"

Eneida Marta, embaixadora da música da Guiné-Bissau, lança, a 6 de abril, o seu novo álbum, “Nha Sunhu” (Meu Sonho).



O disco, cujas letras pertencem, na sua grande maioria, a grandes poetas guineenses, é apresentado pelo single Kabalindade, parte integrante da banda sonora do filme “Espinho da Rosa” e cujo videoclip já pode ser visto aqui:

“Nha Sunhu” será apresentado nos palcos nacionais em dois concertos, a decorrerem na Casa da Música (Porto) e na Culturgest (Lisboa), nos dias 28 e 29 de maio, respetivamente.


Eneida Marta - Kabalindadi

Chill Out! Cultural “tchiga i ka nada! resistencia ki tudu!”, 26 março, 19h00, Esplanada X-Club

O Movimento Cultural UBUNTU, em parceria com a ARTISSAL/CABAZ DI TERRA e Associação Pé Na Tchon, organizam um Chill Out! Cultural, gratuito, com o objectivo de divulgar valores da cultura guineense associados a dança, teatro, música e arte.


A iniciativa (programa anexo), que terá lugar no dia 26 de Março do corrente, representará uma etapa inicial para uma série de eventos, organizados pelo UBUNTU e ARTISSAL/CABAZ DI TERRA e Associação Pé Na Tchon, em parceria com diversas organizações de apoio ao desenvolvimento cultural na Guiné-Bissau.

O Movimento Cultural Ubuntu é uma organização da sociedade civil que assumiu a responsabilidade de estimular a consciência social, valorizar o património histórico e cultural guineense e defender a produção cultural nacional nas suas mais diversas manifestações e estimular a consciência social da nossa comunidade.

A Cabaz di Terra é uma estrutura colectiva que promove o desenvolvimento produtivo com base local,  e é consensualmente definido como um sector significativo para a prossecução da mudança, direccionada à valorização do território, visto reunir um conjunto diversificado de requisitos, favorecendo as dimensões económicas relacionadas com o crescimento, valorizando as características e os traços culturais e promovendo a preservação cultural.

Chill Out! Cultural

Data: 26 de Março de 2015

Local: Esplanada do X-Club

Início: 19h00 / Final: 21h00

Entrada gratuita

Chamamento: 19h00

Dança “Bijagó” - Movimento Cultural UBUNTU

Teatro: “Djanti i ka nada! Tchiga ki tudu”! - Movimento Cultural UBUNTU

Desfile de acessórios – ARTISSAL/CABAZ DI TERRA

Dança “Balanta” - Movimento Cultural UBUNTU

Desfile de acessórios – ARTISSAL/CABAZ DI TERRA CABAZ DI TERRA

Dança “ Mandjacu” - Movimento Cultural UBUNTU

COMUNICADO FINAL - CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DOS PARCEIROS DA GUINÉ-BISSAU "TERRA RANKA"

A CONFERÊNCIA

COMUNICADO FINAL - BRUXELAS,25 DE MARÇO DE 2015

1. Teve lugar em Bruxelas, a 25 de Março de 2015, uma conferência internacional em apoio da Guiné-Bissau, co-presidida pelo Governo da Guiné-Bissau, pela União Europeia e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com objectivo de manter o actual momentum positivo do país e confirmar o apoio internacional ao esforço desenvolvido para a reconstrução do país, ao reforço das suas instituições democráticas e ao seu progresso em direcção da estabilidade socio-política, da reconciliação e do desenvolvimento económico.

2. A Conferência foi aberta pelo Sr. Neven Mimiça, Comissário Europeu para a Cooperação Internacional e Desenvolvimento, por Sua Excelência, Sr. José Mário Vaz, Presidente da República da Guiné Bissau, por Sua Excelência, Sr. Macky Sall, Presidente da República do Senegal e a mensagem do Secretário-Geral das Nações Unidas foi lida pelo Sr. Jeffrey Feltman, Secretário- Geral Adjunto das Nações Unidas.

3. Participaram na Conferência de Bruxelas delegações de 70 países e instituições, incluindo Ministros dos Negócios Estrangeiros e Altos Representantes de instituições regionais e internacionais, bem como representantes da sociedade civil. 

4. A Conferência realizou-se num momento crítico, em que a Guiné-Bissau se dirige para um novo caminho de paz, reconciliação e desenvolvimento, após anos de fragilidade e instabilidade política. Os participantes assinalaram que a realização das eleições de Abril e Maio de 2014, bem como a restauração da ordem constitucional foram um virar de página na história da Guiné- Bissau. A comunidade internacional poderá prestar o seu apoio à consolidação destas realizações.

5. A Conferência felicitou o progresso feito pelas autoridades democraticamente eleitas, desde a sua tomada de posse, na promoção da inclusão e do diálogo, e reconheceu os esforços feitos em conjunto com líderes comunitários e com a sociedade civil para estabelecer os alicerces de uma estabilidade e reconciliação duráveis. Os participantes louvaram a determinação da Guiné-Bissau em trabalhar para a consolidação da democracia, do estado de direito, da retoma económica e da redução da pobreza.

6. Os participantes assinalaram os resultados encorajantes obtidos pelo Governo da Guiné-Bissau na execução do programa em três fases, incluindo os planos de Emergência, Contingência e Desenvolvimento que tinham sido adoptados por unanimidade pela Assembleia Nacional. Louvaram ainda a melhoria do fornecimento de serviços básicos à população, o pagamento de salários atrasados, o sucesso da campanha agrícola, bem como as medidas tomadas para melhorar a gestão das finanças públicas e a mobilização de recursos financeiros, reforçar o estado de direito e lutar contra a corrupção.

7. Os parceiros da Guiné-Bissau sublinharam a necessidade de continuar neste caminho.Foi essencial para o país ter cortado decididamente com a fragilidade do passado, ao manter-se unido e iniciar um conjunto importante de reformas,nomeadamente nas áreas da segurança, justiça, administração pública e gestão das finanças públicas. Estas reformas devem ser claramente orientadas pelos princípios da transparência e responsabilização, e pela luta contra a impunidade e a corrupção.

8. A Conferência afirmou o apoio contínuo da comunidade internacional às autoridades da Guiné-Bissau no seu empenhamento. A Conferência acolheu particularmente as contribuições e os esforços políticos e diplomáticos das Nações Unidas, da CEDEAO, da CPLP, da União Africana, da União Europeia e dos seus Estados-Membros durante o período de transição. A Conferência assinalou a reactivação do Grupo Internacional de Contacto para a Guiné-Bissau (ICG-GB) e as conclusões da sua 10ª. Sessão de Nova Iorque em 18 de Novembro de 2014.

9. A Conferência acolheu igualmente a retoma da plena cooperação por vários parceiros, apelou a novos parceiros e doadores a juntarem-se a este esforço, e sublinhou a necessidade de se respeitarem os princípios da eficácia da ajuda tal como delineado na Declaração de Paris, na Agenda de Acção de Accra e a Parceria de Busan para uma Cooperação Efectiva para o Desenvolvimento.

10.Os participantes felicitaram a liderança do país na condução do seu processo de desenvolvimento nacional e acolheram a Visão Estratégica do Governo para a consolidação do Estado, para a estabilidade socio-política e para a boa governação, bem como o seu Plano Estratégico e Operacional para o período 2015-2025. Sublinharam a necessidade de trabalhar para a retoma económica com base em reformas estruturais que possam assegurar o desenvolvimento sustentável. Foram identificados quatro vectores principais de crescimento económico: agro-indústria, pescas, turismo, bem como a exploração transparente e sustentável dos recursos minerais do país. A paz e a boa governação, as infraestruturas e o desenvolvimento urbano, um ambiente favorável aos negócios,o desenvolvimento humano e a preservação e uso responsável da biodiversidade da Guiné-Bissau serão os pilares fundamentais para esse crescimento e desenvolvimento sustentável.

11.Os participantes salientaram a importância do desenvolvimento social e humano para melhorar as vidas e o quotidiano da população da Guiné-Bissau, através do reforço do acesso à educação e saúde, e das prestações nesses sectores. No caso da saúde, também devem ser previstas medidas de aptidão para lidar com a ameaça de Ébola e outros desafios sanitários.

12.. Com base nas prioridades identificadas pelas autoridades no seu ambicioso Plano Estratégico e Operacional para os próximo cinco anos, os parceiros decidiram dedicar mais de um bilião de euros à Guiné-Bissau para atingir os seus objectivos e para conseguir melhorias tangíveis nas condições de vida do povo da Guiné-Bissau.

13.Os participantes reiteraram que esta Conferência não é uma finalidade em si. É o ponto de partida de uma nova dinâmica e uma cooperação com vista a um melhor futuro para a Guiné-Bissau. Os fundos dos parceiros podem dar um impulso, mas o crescimento económico e o desenvolvimento sustentável serão conduzidos sobretudo pelo apoio ao sector privado, particularmente através da criação de emprego, da construção de infra-estruturas e transporte, do acesso à energia,de um ambiente de negócios concorrencial e seguro, e de um acesso facilitado ao crédito. Para a sustentação de um tal crescimento será necessário um maior domínio dos recursos domésticos a fim de aumentar a apropriação nacional das políticas públicas e assegurar a responsabilização perante os cidadãos.

14.Os participantes destacaram a necessidade de respeitar os princípios democráticos e de assegurar um diálogo inclusivo nacional bem como um processo genuíno de reconciliação incluindo todos os partidos e forças políticas.Sublinharam a importância de incluir todos os guineenses no processo de estabilização e reconciliação tanto a nível nacional como local. Os participantes assinalaram a importância crucial de reforçar o estado de direito e o sistema judicial e de assegurar o respeito pelos direitos humanos. A fim de assegurar uma estabilidade socio-política durável, a Conferência salientou que devem ser tomadas medidas para lutar contra a impunidade e contra o tráfico de droga. Os participantes concordaram sobre a necessidade de continuar a apoiar a Guiné-Bissau nos seus esforços para lidar com o crime organizado transnacional,incluindo o tráfico de droga. Nesta área, uma cooperação reforçada a nível internacional e regional com o país continua a ser crucial.

15.A necessidade de consolidar tanto a democracia como o estado de direito exige a instauração de um controle civil efectivo e supervisão das forças de defesa e segurança. Os participantes sublinharam, assim, a importância de implementar uma reforma genuína e completa do sector de defesa e segurança, crucial para uma estabilidade durável. Assinalaram os actuais esforços para este fim e apelaram à comunidade internacional para apoiar os esforços nacionais de forma inclusiva e coordenada.

16.Os participantes louvaram especialmente os esforços da CEDEAO para ajudar a manter a paz e segurança na Guiné-Bissau e para apoiar a reforma do sector de segurança, nomeadamente através da sua missão militar (ECOMIB). Reconheceram a importância da ECOMIB para garantir a segurança das instituições políticas e para apoiar a reforma do sector de segurança, tal como sublinhado pela Resolução 2203 (2015) do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

17.Os participantes acolheram com agrado a extensão do mandato da UNIOGBIS até 29 de Fevereiro de 2016, assinalando que a presença da UNIOGBIS permanece um factor essencial de estabilidade na actual fase de consolidação.

PM de Guiné-Bissau "profundamente grato" por apoio "sem precedentes"

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau manifestou "profunda gratidão" pelo sucesso da conferência internacional celebrada hoje em Bruxelas, que permitiu mobilizar mais de mil milhões de euros, "um apoio sem precedentes" da comunidade internacional ao país.

Na sua intervenção de encerramento da mesa redonda de doadores, Domingos Simões Pereira disse sair desta conferência "com grande satisfação", pois a comunidade internacional deu todo o seu apoio à estratégia apresentada pelo governo de Bissau e comprometeu-se com contribuições financeiras "sem precedentes".

O chefe de governo admitiu que o sucesso da conferência internacional representa também "uma enorme responsabilidade" para o país, mas garantiu que as autoridades guineenses levam essa responsabilidade "muito a sério" e que estarão à altura das expetativas, e sugeriu mesmo a realização de reuniões de seguimento, acompanhamento e monitorização desta mesa redonda a cada seis meses.

Em declarações aos jornalistas já depois da conclusão dos trabalhos, Domingos Simões Pereira disse que foram atingidos os dois grandes objetivos da conferência, "a retoma da cooperação com os parceiros internacionais e a cobertura financeira necessária para a implementação" do programa estratégico, sendo "encorajador saber que mais de 50% dos valores anunciados são donativos".

Na sua declaração de encerramento, o secretário executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy, apontou que a conferência foi o "corolário dos esforços das atuais autoridades da Guiné-Bissau para romper com o círculo vicioso da instabilidade".

Já o diretor do Serviço Europeu de Ação Externa (o corpo diplomático da UE) para África, Nick Westcott, comentou que a conferência hoje celebrada em Bruxelas foi das mais participadas a que assistiu na sua carreira e observou que ficou essa "mensagem clara: a comunidade internacional está com a Guiné-Bissau".

ACC // JMR

Lusa

Guiné-Bissau mobiliza mil milhões de euros na reunião de doadores em Bruxelas

Bruxelas, 25 mar (Lusa) - A conferência internacional sobre a Guiné-Bissau celebrada hoje em Bruxelas permitiu mobilizar mais de mil milhões de euros de apoios prometidos pela comunidade internacional, com Portugal a comprometer-se com um programa de cooperação de 40 milhões de euros.


"Com base nas prioridades identificadas pelas autoridades no seu ambicioso plano estratégico e operacional para os próximos cinco anos, os parceiros decidiram dedicar mais de mil milhões de euros à Guiné-Bissau para atingir os seus objetivos e para conseguir melhorias tangíveis nas condições de vida do povo da Guiné-Bissau", indica o comunicado final da conferência, lido na sessão de encerramento pelo chefe de diplomacia da Guiné-Bissau, Mário Lopes da Rosa.

Na conferência, coorganizada pelo governo da Guiné-Bissau, União Europeia e Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, participaram delegações de 70 países e instituições, tendo o Governo português anunciado a intenção de assinar, até junho próximo, um programa estratégico de cooperação num montante que rondará os 40 milhões de euros.

quarta-feira, 25 de março de 2015

O Conselho da União Europeia Revoga Sanções Contra Guiné-Bissau

O Conselho da União Europeia (UE) revogou hoje as sanções que limitavam a cooperação com a Guiné-Bissau e que tinham já sido suspensas em julho do ano passado após a celebração de “eleições livres e credíveis”.


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“A Guiné-Bissau iniciou um novo caminho de paz, reconciliação e desenvolvimento após a realização de eleições e o restabelecimento da ordem constitucional em 2014”, disse a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini.

A decisão de hoje, salientou, permite à UE “apoiar o esforço das autoridades para reconstruir o país, consolidar as instituições democráticas e lançar as bases para a estabilidade a longo prazo”.

A Alta Representante da UE para a Política Externa recorda que, “já esta semana, a UE coorganiza, juntamente com o governo da Guiné-Bissau e com a ONU, uma conferência internacional que irá mobilizar apoio para a implementação de reformas na Guiné-Bissau e do seu programa de desenvolvimento”.

A decisão de hoje, que, na prática, ratifica a suspensão das medidas restritivas já decidida em julho do ano passado, tem lugar precisamente na véspera de uma conferência internacional em Bruxelas, na qual as autoridades guineenses esperam angariar 427 milhões de euros para projetos prioritários no país, de acordo com a documentação que o Governo guineense leva para a mesa redonda de doadores.

Em julho de 2014, após terem tido lugar eleições consideradas livres e credíveis, o Conselho já decidira suspender as restrições à cooperação que impusera em 2011 à Guiné-Bissau, na sequência do golpe militar de abril de 2010 e consequente designação dos seus principais instigadores para os postos de comando da hierarquia militar, o que a UE considerou uma grave violação dos elementos essenciais do Acordo de Cotonou, assinado entre a União e países da África, Caraíbas e Pacífico.

Também o comissário europeu para a Cooperação Internacional e Desenvolvimento, Neven Mimica, que participará na conferência de quarta-feira, comentou hoje que “a Guiné-Bissau está de regresso à cena internacional e pronta a avançar, com o apoio da UE”.

“Nos próximos meses, iremos finalizar a programação do 11.º envelope do Fundo Europeu de Desenvolvimento e alinhar a nossa cooperação com as prioridades da estratégia nacional de desenvolvimento do governo”, apontou.

O primeiro-ministro Domingos Simões Pereira e o Presidente da República José Mário Vaz estão juntos em Bruxelas para apresentar o plano operacional da Guiné-Bissau para 2015-2020.

Lusa

O drama dos jogadores abandonados, muitos deles são oriundos da Guiné Bissau

O drama dos jogadores abandonadosO povoense, da Póvoa de Santa Iria, é um dos "clubes de acolhimento" de africanos que querem singrar no futebol europeu


“O processo é simples: vai treinar a um clube, não fica. Vai a outro, também não fica. E assim sucessivamente. O agente que traz o jogador pensa sempre que há de colocá-lo em algum lado. Mas por vezes não é possível. Nesse caso, abandona-o. É aí que começa o verdadeiro drama”. O especialista em direito desportivo João Diogo Manteigas trabalha com vários países africanos e conhece bem a realidade dos jovens que chegam a Portugal para jogar futebol mas acabam em situações de precariedade e ilegalidade. Muitos deles são oriundos da Guiné Bissau. “Entrar no país é fácil. Os jogadores trazem sempre vistos de estada temporária. O problema é ficar num clube que depois ajude na renovação do visto ou na legalização. Entre aqueles que conseguem clube, cerca de 95% vão jogar para o Campeonato Nacional de Seniores, no futebol amador. Estamos a falar de clubes sem capacidade financeira, que depois não querem ou não conseguem ter despesas com a legalização do jogador”.
“O agente que traz o jogador pensa que há-de colocá-lo em algum lado. Mas por vezes isso não é possível e abandona-o”

Ailton Pereira é uma excepção à regra. Veio da Guiné e fez carreira em clubes como o Chaves, o Barreirense e o Atlético. Pelo meio ainda passou pelo Logroñés, do futebol espanhol, e foi internacional pela selecção guineense. Abandonou os relvados no final da temporada 2012/2013, finalizou a licenciatura em Direito e hoje é empresário de vários jovens africanos a actuar no futebol português. Costuma ser abordado por jogadores guineenses que chegam a Portugal por intermédio de outros agentes: “Ficam sem clube e são abandonados pelos seus representantes. Tento ajudá-los organizando alguns treinos e jogos para que, pelo menos, não fiquem parados”. Lembra que em Portugal há cada vez mais atletas abandonados com paradeiro incerto. Dá um exemplo: “Houve um miúdo que veio com um visto de 15 dias para encontrar clube. Foi treinar a um clube do centro, mas o SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteiras] apareceu lá e ele fugiu. Continua aqui, mas ninguém sabe dele”. As práticas de alguns agentes são outro problema: “Certos empresários trazem jogadores da Guiné sem qualquer despesa. O dinheiro da viagem e do visto é pago pelo jogador ou pela sua família. A passagem anda à volta dos 800 euros e o visto ronda os 200, 300 euros. Dessa forma não há risco da parte do empresário. Se o jogador ficar em algum lado, ele vai querer a compensação. Mas se não arranjar clube, fica entregue à sua sorte”.

Ler mais em : http://sol.pt/noticia/127762