terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Ébola pode custar mais de 32 mil milhões de dólares à África Ocidental

Ébola pode custar mais de 32 mil milhões de dólares à África Ocidental

O surto de ébola na Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri pode custar mais de 32 mil milhões de dólares e tirar 3,3% ao PIB da África Ocidental se a epidemia não for rapidamente controlada, segundo a Moody's.

"Os custos humanos e económicos no combate à trágica doença já fazem antever uma legado longo e negativo no futuro do crescimento económico da África Ocidental", sublinhou a Moody's

De acordo com uma nota aos investidores, a que a Lusa teve hoje acesso, a agência de notação financeira norte-americana considerou que "a África Ocidental como um todo pode perder até 32,6 mil milhões de dólares [25,5 milhões de euros] no final de 2015 se a epidemia não for rapidamente controlada, num cenário que prevê a contaminação aos países vizinhos".

Para a Moody's, que citou o relatório do Banco Mundial sobre este tema, "isto significa que o PIB combinado de todos os países da África Ocidental - incluindo, entre outros, as muito maiores economias da Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Senegal - seria 3,3% menor do que se não houvesse efeitos relacionados com o ébola nas suas fronteiras, no que diz respeito ao comércio, turismo e confiança dos consumidores e empresas".

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o ébola já infectou 9.216 pessoas, tendo resultado em 4.555 mortes, principalmente na Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria, prevendo que o contágio possa chegar às 10 mil pessoas por semana na África Ocidental, em Dezembro.

"Os custos humanos e económicos no combate à trágica doença já fazem antever uma legado longo e negativo no futuro do crescimento económico da África Ocidental, uma vez que as medidas de poupança obrigam à suspensão dos projectos de educação e desenvolvimento", sublinhou a Moody's.

A agência exemplificou com as declarações do ministro das Finanças da Serra Leoa em Washington, na semana passada, segundo as quais o país "não tinha outra escolha" senão suspender alguns projectos e reduzir o orçamento da maioria dos ministérios em 23% para acomodar o crescimento previsto do défice em 2015.

Os três países mais afectados pelo ébola sofrem mais do que o resto da região, escreveu a Moody's, especificando que no cenário de contenção rápida, o Banco Mundial estimou que o surto custe 163 milhões de dólares (3,3% do PIB) à Serra Leoa este ano, mas o efeito negativo pode chegar aos 8,9% do PIB no próximo ano se o cenário usado for o da contenção lenta da doença.

Na Libéria, o Banco Mundial referiu que no pior cenário as estimativas de perda chegam aos 234 milhões de dólares (12%) do PIB, e 142 milhões na Guiné-Conacri (2,3% do PIB) como resultado do aumento das despesas de Saúde e descida na produtividade, resultante do fecho de aeroportos e estradas e no abandono dos campos pelos agricultores.

Os países da África Ocidental são Benim, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

FESTin recebe filmes lusófonos até 15 de Dezembro

De 8 a 15 de Abril de 2015, o Cinema São Jorge será novamente a casa do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, reunindo dezenas de filmes oriundos dos países da CPLP, que recentemente passou a integrar nove nações: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste


FESTin recebe filmes lusófonos até 15 de Dezembro
Os filmes concorrentes às secções competitivas deverão ser exclusivamente de expressão portuguesa e ter sido finalizados entre Janeiro de 2013 e Novembro de 2014, com a duração mínima de 70 minutos no caso das longas-metragens e a duração máxima de 25 minutos no caso das curtas-metragens.

No ano em que serão já precisas duas mãos para contar as etapas desta aventura à descoberta do cinema falado em português, o FESTin foca a sua atenção no Sudeste Asiático e homenageia um dos mais recentes países do mundo: Timor-Leste.

Além das três secções de competição (de longas e curtas-metragens de ficção; e documentários), o festival voltará a integrar as Mostras de Cinema Brasileiro, Inclusão Social, Infanto-Juvenil, País Convidado, bem como mostras especiais a anunciar.

O FESTin é uma co-produção Padrão Actual e EGEAC – Cinema São Jorge. Ao longo de cinco edições foram exibidas cerca 340 produções em língua portuguesa. Na 5ª edição do festival, em Abril de 2014, foram apresentados 76 filmes, que alcançaram mais de 7000 espectadores, um aumento de 30% de procura do público em relação a 2013.

O regulamento pode ser consultado aqui: http://festin-festival.com/regulamento-2015-2/

Secretário de Estado das Comunidades denuncia má conduta na Embaixada em Lisboa

Bissau - O secretário de Estado da Cooperação Internacional e das Comunidades denunciou que algumas pessoas ligadas à Embaixada da Guiné-Bissau em Portugal recebem dinheiro para a marcação de consultas.

Falando à margem do encerramento da conferência sobre saúde no país, Idelfrides Fernandes afirmou que ninguém deve viver à conta da saúde das pessoas.

«Não podemos viver à sombra da saúde das pessoas. Receber 100 ou 200 euros para marcar as consultas é grave, não podemos admitir que isso volte a acontecer. Seja quem for», desafiou o responsável, afirmando que durante a sua estadia em Lisboa recebeu muitas queixas por parte dos pacientes guineenses.

Idelfrides Fernandes afirmou que é preciso apurar responsabilidades.

Foi neste sentido que o Chefe do Governo guineense, Domingos Simões Pereira, afirmou que é preciso criar um contrato social para os quadros de saúde, por forma a escolher «os bons» e dar-lhes prioridade.

«Nós precisamos de um novo contrato social e é importante que os profissionais de saúde se mobilizem para estar do lado só deste contrato. Se formos capazes de estabelecer um compromisso, todos vamos trabalhar no sentido de que esse contrato social possa resultar nos objectivos que estão preconizados» disse o Chefe de Governo guineense.

«Não podemos ser bons só quando atravessamos a fronteira. Se isso acontece é porque algo está mal. Então, vamos trabalhar juntos, vamos ultrapassar preconceitos, vamos ser capazes de admitir onde há falhas, vamos ser capazes de escolher os bons e priorizar esses bons» desafiou Domingos Simões Pereira.

Governo pede esclarecimentos sobre adiamento da retoma da rota da TAP

Bissau - O Governo guineense pediu esclarecimentos a Lisboa sobre o adiamento da retoma dos voos da Transportadora Aérea Portuguesa (TAP), que estava prevista para 28 de Outubro.

A posição foi expressa num comunicado do Conselho de Ministros,  datado de 16 de Outubro.

Segundo a nota, o Governo esclarece que não recebeu até ao momento qualquer comunicação formal de Lisboa sobre a decisão da TAP e instrui o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Lopes da Rosa, a encetar contactos com as autoridades portugueses no sentido de se inteirar das circunstâncias que levaram ao sucedido.

Importa destacar que a TAP decidiu adiar a retoma dos voos para o país, prevista para 28 de Outubro, alegando «questões operacionais ligadas à empresa», para mais 45 dias, ou seja, até Dezembro, facto que não agradou as autoridades guineenses, que pedem o esclarecimento por parte das autoridades portuguesas.

A TAP suspendeu os seus voos para a Guiné-Bissau em Dezembro, na sequência do embarque forçado pelas autoridades guineenses de 74 cidadãos sírios no aeroporto de Bissau, rumo a Lisboa.

Portugal e a Guiné-Bissau assinaram em Julho um acordo para retomar as ligações aéreas entre Lisboa e Bissau. O acordo foi assinado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Rui Machete, e pelo seu homólogo da Guiné-Bissau, Mário Lopes da Rosa, em Lisboa, na presença dos Primeiros-ministros dos dois países, Pedro Passos Coelho e Domingos Simões Pereira, respectivamente.

Nomeados governadores para as oito regiões do país

guinea-bissau-mapaBissau - O Governo da Guiné-Bissau nomeou em Conselho de Ministros o compositor Adriano Ferreira «Atchutchi» como novo Presidente da Câmara Municipal de Bissau.

Adriano Ferreira substitui no cargo António Artur Sanhá, que assumiu essas funções depois do golpe militar que depôs, na altura, o Governo liderado por Carlos Gomes Júnior.

Foram ainda nomeados, na mesma sessão de 16 de Outubro, os governadores das oito regiões que compõem a república da Guiné-Bissau, nomeadamente, Cacheu, Biombo, Oio, Gabu, Bafata, Quinara, Tombali e Bolama–Bijagos, quadro em que figuram duas mulheres.

Para a região de Cacheu foi indicado o actual Administrador do Sector de São Domingos, Rui Gonçalves Cardoso, Veríssimo Tamba, governador de região de Bolama-Bijagos, Umberto Co, governador da Região de Biombo, Mamadu Boe Djalo governador de Gabu, Anita Djalo Sane, governadora da região de Oio, Binto Nanque governadora de região de Quinara e Bacar Bodjam como governador de Tambali.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Jovens angariam fundos para reconstruir escola que acolhia 120 crianças

As crianças do bairro Bandim Bilá, em Bissau, poderão voltar a ter aulas graças a um grupo de jovens guineenses que pretende angariar três milhões de francos CFA (4.500 euros) para recuperar uma escola danificada.

A escola de Bandim Bilá deixou de ser utilizada há quatro anos por se encontrar em avançado estado de conservação e o local serve agora de lixeira do bairro, situação que o Movimento Luz Ku Yagu (Luz e Água) quer reverter.

O espaço albergava mais de 120 crianças de Bandim Bilá.

Lucete Injami, de 16 anos e Ailton Viriato, de 17, são membros do Movimento Luz e Água, uma organização de jovens guineenses que reclama do Governo "realizações concretas", a começar pelo fornecimento regular de energia elétrica e água potável.

Lucete e Ailton são os porta-vozes da revolta juvenil com a situação da escola.

Defendem que o Estado guineense, por não ser capaz de atender às demandas da população, devia passar ao povo algumas das suas responsabilidades naquilo que chamam de "democracia direta".

Lucete Injami dá o exemplo da "ausência do Estado" na resolução do problema da escola do bairro de Bandim Bilá.

Ailton Viriato conta que a arrecadação de fundos "já está a andar", notando que em pouco mais de dois meses de campanha a associação já conseguiu juntar mais de um milhão de francos CFA (1500 euros) através de pessoas que gostaram da ideia.

"Mas são pessoas que estão fora da Guiné-Bissau. Estão em Portugal, Itália e no Brasil", notou Lucete Injami, explicando que ficaram sensibilizadas com a iniciativa que viram num sítio na internet criado para divulgar a campanha de recolha de fundos.

Os jovens do Movimento Luz e Água dizem-se tristes com a realidade das crianças do bairro de Bandim Bilá com muitas a ficarem em casa, sem puderem ir à escola, e com outras a terem que andar mais de dois quilómetros todos os dias para ter aulas.

Crianças até aos seis anos a andarem nas ruas de Bissau correm "um risco enorme" de se perderem ou de serem atropeladas, observou Ailton Viriato.

Lucente Injami frisou que a "principal preocupação" dos adultos devia ser a recuperação da escola, pelas consequências que a falta de aulas trará para as crianças e toda a população do bairro.

"Uma mão que pegue num livro, não terá como pegar numa arma", concluiu.

Estratégia de desenvolvimento da Guiné-Bissau vai centrar-se na biodiversidade -- PM

Bissau, 19 out (Lusa) - O governo da Guiné-Bissau vai colocar a biodiversidade no centro da estratégia de desenvolvimento do país que vai propor à população e parceiros internacionais nos próximos meses, anunciou o primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira.

"A Guiné-Bissau tem coisas únicas que até hoje não estão a ser exploradas", referiu, a propósito das parcelas de território classificadas como património natural.

A ideia foi anunciada na noite de sábado num encontro com autoridades nacionais e com a comunidade internacional, em Bissau, após um retiro dos membros do governo para análise dos primeiros 100 dias de trabalho do executivo.

domingo, 19 de Outubro de 2014

Ébola: Portugal vai ajudar a Guiné-Bissau

Portugal deverá montar uma base de retaguarda para prevenção e combate ao vírus Ébola no Hospital Militar de Bissau, anunciou hoje a ministra da Saúde da Guiné-Bissau, Valentina Mendes.


image002
«Portugal vai criar uma base no Hospital Militar: lá é que vão ser instalados os equipamentos e o pessoal que vem [para Bissau]», explicou a governante.

Valentina Mendes falava após encontros mantidos na sexta-feira e hoje com o Diretor-Geral de Saúde de Portugal, Francisco George, e Paulo Campos, presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) português, que se encontram na capital guineense.

A base portuguesa deverá complementar um centro de tratamento e isolamento para casos de Ébola que o governo de Bissau quer implantar no Hospital Simão Mendes, principal hospital público do país, mas também um dos mais degradados.

De acordo com Valentina Mendes, o executivo vai redigir uma carta-pedido endereçada ao Governo português, detalhando a cooperação desejada e entretanto esboçada com Francisco George e Paulo Campos.

No documento «estará todo o pacote», referiu a ministra, desde equipamentos em falta, necessidades de treino e outros recursos, como por exemplo, um laboratório.

A carta será entregue em mão pela própria governante ao Governo português durante uma deslocação que vai efetuar a Portugal, ao lado do primeiro-ministro guineense, Domingos Simões Pereira, antes do final do mês.

A governante espera que em novembro seja possível receber as primeiras equipas médicas portuguesas em Bissau.

Apesar de se chamar Hospital Militar, 98% dos casos tratados são de civis, mediante o pagamento de uma taxa moderadora de cerca de três euros.

Construído em 2011 através da cooperação chinesa na Guiné-Bissau, a unidade tem das melhores instalações e serviços do país, ainda assim, extremamente carentes: conta apenas com dois especialistas, um cirurgião e um obstetra, o que limita a utilização de equipamentos de diagnóstico.

Tendo em conta o contexto, e consoante evoluir a ameaça do Ébola, as equipas médicas portuguesas poderão envolver-se na promoção de outros cuidados de saúde, admitiram os participantes.
Francisco George e Paulo Campos visitaram o Hospital Militar hoje de manhã.

Para o presidente do INEM, há um interesse particular em unir a função hospitalar à tutela militar, dada a necessidade de proteger instalações que lidem com o vírus Ébola - que já foram atacadas noutros países afetados pela epidemia.

Por outro lado, «é uma estrutura organizada» e «talvez o melhor polo de saúde na Guiné-Bissau».

No entanto, «não vamos colocar a tónica só neste hospital. Este pode ser um pilar importante, mas temos que explorar todos os pilares da cooperação na área da saúde», disse.

Augusto Mendes, diretor clínico da unidade, disse à Lusa que o mais urgente é «treinar os técnicos e pessoal médico, não só na parte teórica, mas também sobre a maneira de usar os kits de proteção» contra o Ébola.

Apesar de os dois países com que faz fronteira já terem sido afetados pelo vírus Ébola, a Guiné-Bissau continua livre da ameaça mortal.

A norte, no Senegal, já foi verificado um caso importado, entretanto curado, e a sul, na Guiné-Conacri (onde a epidemia eclodiu), o Ébola continua a matar.

Desde meados de agosto que a Guiné-Bissau fechou as fronteiras com Conacri, apesar das queixas de comerciantes e da população fronteiriça, para prevenir a entrada de pessoas infetadas - apesar de haver relatos de travessias em zonas não vigiadas pelas autoridades.

Segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Ébola causou mais de 4.500 mortos em cerca de 9 mil casos registados na Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri, os mais afetados, mas também Nigéria, Senegal, Espanha e Estados Unidos.

Presidente nomeia novos colaboradores

O chefe de Estado guineense, José Mário Vaz (foto ASF)


O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, nomeou esta sexta-feira mais de dez colaboradores, entre conselheiros e assessores.

A ex-ministra dos Negócios Estrangeiros, Adiantu Nandigna, foi nomeada conselheira político-diplomática.

José Mário Vaz escolheu também novos conselheiros especiais: o empresário Braima Camará; o antigo chefe da diplomacia guineense Iaia Djaló; o ex- ministro da Comunicação Social Fernando Mendonça, que será também porta-voz da Presidência e o antigo reitor da Universidade Lusófona da Guiné-Bissau Tcherno Djaló.

O chefe de Estado chamou ainda o ex-ministro do Interior, Dionisio Kaby, para assumir funções como conselheiro nas áreas de infraestruturas e equipamento social e António Cabral Avelino como conselheiro para os assuntos da Defesa.

Indira Cabral, filha de Amílcar Cabra, será assessora do Presidente para assuntos dos Direitos Humanos e Género; Policarpo Cabral D’Almada para a Administração Territorial e Adulai Djamanca para assessor do Poder Local.

Por último, Dito Max foi nomeado assessor para a Juventude e César Fernandes foi escolhido para o cargo de secretário-geral da presidência.

Carlos Lopes Responsável da ONU apontou aos guineenses desafios de crescimento do continente africano

O secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África, o guineense Carlos Lopes, apontou na sexta-feira à noite os desafios que o continente deve enfrentar para sustentar o crescimento económico que conhece nos últimos anos.
Responsável da ONU apontou aos guineenses desafios de crescimento do continente africano
Carlos Lopes está em Bissau a convite do Governo e foi orador numa conferência em que assistiram funcionários de organizações internacionais e diplomatas.

Uma das figuras presentes foi o diretor geral da Saúde de Portugal, Francisco George, que se encontra de visita a Guiné-Bissau.

Durante cerca de duas horas, o economista e sociólogo guineense defendeu que "um dos grandes desafios" de África é a industrialização para que se possa transformar localmente a matéria-prima e, assim, gerar emprego.

O primeiro-ministro guineense, Domingos Simões Pereira, que se encontrava na mesa, ouviu Carlos Lopes sustentar que África, que tem tido uma das taxas de crescimento mais elevadas do mundo na ordem dos cinco por cento ao ano, deverá arranjar soluções para a falta de infraestruturas e energia.

Trazer para a economia a formalidade, alargar a base tributária, seriam para Carlos Lopes a transformação estrutural de que necessita África para sustentar o crescimento, devendo o Estado ter neste caso "um papel mais interventivo", observou.

Sendo um continente com cerca de um bilião de pessoas, África devia também incrementar as trocas comerciais entre os seus países e blocos regionais, recentrando toda estratégia na agricultura, visando a transformação a partir das energias renováveis, disse Carlos Lopes.

A reformulação do sistema educativo com a formação de quadros virados para a indústria, o fim à instabilidade política num continente onde só no último ano mais de 100 milhões de pessoas foram afetadas por conflitos violentos e o combate às desigualdades, são outros dos desafios apontados secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África.

Carlos Lopes realiza no sábado um retiro com todo Governo guineense para preparar uma mesa-redonda que Bissau pretende realizar em fevereiro com os parceiros internacionais.

Lusa

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Novo estudo revela que milho alaranjado aumenta os níveis de vitamina A nas crianças

A insuficiência de vitamina A provoca cegueira em aproximadamente 500 mil crianças todos os anos


LUSAKA, Zambia, October 16, 2014/ -- Um estudo divulgado na American Journal of Clinical Nutrition (revista americana de nutrição clínica) mostrou que a pró-vitamina A do milho alaranjado aumenta as reservas de vitamina A no organismo. Este milho foi produzido pelos métodos convencionais (não geneticamente modificado), de modo a possuir níveis mais elevados de betacaroteno, uma substância que o organismo transforma em vitamina A.

unnamed


Photos: http://goo.gl/u9ygCR

A insuficiência de vitamina A provoca cegueira em aproximadamente 500 mil crianças todos os anos e aumenta o risco de morte por doenças. Os alimentos ricos em vitamina A, como os frutos cor de laranja ou a carne, nem sempre estão disponíveis ou acabam por serem muito caros. Em muitos países, as pessoas ingerem grandes quantidades de alimentos básicos a saúde, como o milho. Na Zâmbia, as pessoas chegam a comer quase meio quilo de milho branco por dia, mas este não lhes fornece pró-vitamina A. Substituir este milho pelo milho alaranjado, que é rico em betacaroteno, poderia satisfazer até cerca de metade das necessidades diárias de vitamina A dos zambianos.


15155827117_6ace8ab0ff_c
Neste estudo, elaborado para comprovar a eficácia do milho alaranjado, as crianças foram aleatoriamente colocadas em três grupos de alimentação diferentes e receberam milho branco, milho alaranjado ou um suplemento diário de vitamina A. Três meses depois, os grupos que receberam o milho alaranjado e os suplementos de vitamina A demonstraram um aumento significativo nas reservas totais de vitamina A no organismo, ao passo que no grupo que recebeu o milho branco não se verificou nenhuma alteração.

A cientista responsável, Sherry Tanumihardjo, afirmou: “ficamos surpreendidos ao verificar que a maioria das crianças do estudo já tinha reservas substanciais de vitamina A. Contudo, apesar destas reservas adequadas de vitamina A, ainda assistimos a um aumento da vitamina A provocado pelo milho alaranjado. Estou confiante de que o milho alaranjado poderá ser especialmente eficaz no aumento das reservas de vitamina A no organismo em populações com deficiência dessa vitamina.”

Na Zâmbia, o HarvestPlus (http://www.harvestplus.org) tem planos para que 100 mil agricultores passem a produzir o milho alaranjado em 2015. De acordo com Eliab Simpungwe, Gerente Local do HarvestPlus, “os consumidores receberam bem o milho alaranjado depois de o terem provado.”  O milho alaranjado também tem alto rendimento, é resistente a vírus e doenças, além de ser tolerante à seca.

Musonda Mofu, Diretor Executivo Interino da Comissão de Alimentação e Nutrição Nacional na Zâmbia e membro da equipa responsável pelo estudo, afirmou que “ainda existem muitas áreas isoladas na Zâmbia em que a deficiência de vitamina A continua a ser um problema. As abordagens com base em alimentos, como o milho alaranjado, podem fornecer às pessoas uma parcela considerável das suas necessidades diárias de vitamina A. Para nós, esta é uma abordagem econômica e segura para melhorar a nutrição."

O destacamento da Policia de Intervenção Rápida recupera cabeças de gado roubadas no sector de Canchungo

Bissau – O destacamento da Policia de Intervenção Rápida (PIR), colocado no Sector de Canchungo, norte da Guiné-Bissau, apoiado pelos elementos da Guarda Nacional, recuperou 47 das mais de 90 cabeças de gado bovino roubadas nos últimos dias, nas diferentes povoações que compõem a localidade.

Entre os elementos recuperados constam ainda painéis solares, um motor fora de bordo com a capacidade de 40kw, armas de fogo e mais de uma dezena se pessoas detidas, todas suspeitas de envolvimento na prática de crimes de roubo de gado na região.

A cerimónia de entrega simbólica destes animais foi feita pelo Comissário da Polícia da Ordem Pública para a Província Norte, Paulino Dias, ao régulo de Canchungo, Fernando Batica Ferreira.

A PNN esteve em Bula, onde se encontra um grupo de 21 cabeças de gado bovino à espera de serem identificados pelos seus proprietários para, de seguida, se proceder à sua entrega.


Em Canchungo a PNN registou, no Quartel-general desta força policial, nove cabeças de gado, bem como um camião carregado com 17 cabeças de gado bovino.

Em declarações à PNN, o régulo de Canchungo mostrou-se satisfeito com a resposta do Governo face à queixa apresentada pela população devido aos furtos.

Sobre o mesmo assunto, o Porta-voz do Ministério da Administração Interna, Samuel Fernandes, informou que os resultados desta operação surgem em resposta ao apelo e às orientações feitas pelo Governo através do ministro da Administração Interna, Botche Candé, sobre a necessidade de busca e recuperação dos animais em causa.

Fote : PNN

ÉBOLA : Estudantes da Guiné-Bissau na Rússia temem ataques da população

Estudantes da Guiné-Bissau na Rússia estão a pedir a intervenção das autoridades guineenses junto do governo de Moscovo por recearem ataques da população que os aponta como portadores do vírus Ébola, disse um dos alunos a uma rádio local.

Elísio Barbosa, presidente da Associação dos Estudantes Guineenses na Rússia, referiu, em contato telefónico com uma rádio de Bissau, que a população da cidade de Oriol (a 400 quilómetros da fronteira com a Bielorrússia e com a Ucrânia) "está furiosa com os estudantes africanos", nomeadamente os guineenses.

Quinze estudantes guineenses, contemplados com bolsas de estudo do governo russo, chegaram a Moscovo na terça-feira e um dos jovens foi levado ao médico por ter febre.